O Globo, n 32.370, 23/03/2022. Economia, p. 12
Secretário de Guedes critica ideia de subsidiar gasolina
No momento em que o presidente Jair Bolsonaro defende abertamente zerar os impostos federais sobre a gasolina, o Ministério da Economia avaliou ontem que essa medida não é uma “boa política” pública. O secretário especial do Tesouro e Orçamento da pasta, Esteves Colnago, afirmou que subsidiar a gasolina beneficia principalmente a classe média alta. Auxiliar do ministro Paulo Guedes, Colnago defendeu, porém, a redução dos impostos federais sobre o óleo diesel.
— O diesel é diferente porque está atendendo transporte urbano, caminhão, navios, quem transporta alimentos e a população. Ele tem uma externalidade positiva e um efeito econômico mais evidente do que reduzir (o imposto da) gasolina, que em grande parte atende a classe média alta — disse o secretário.
‘PRESSÃO SEMPRE PRESENTE’
O governo zerou os impostos federais sobre o óleo diesel, com impacto de R$ 19 bilhões nas contas públicas e de R$ 0,33 na bomba. Logo em seguida, Bolsonaro passou a falar publicamente na redução dos impostos federais sobre a gasolina.
Os impostos cobrados pelo governo federal sobre a gasolina representam R$ 0,69 no litro do combustível, com arrecadação de cerca de R$ 30 bilhões. Colnago admitiu que há pressão para reduzir o imposto, mas disse que essa não é uma boa política pública:
— A pressão está sempre presente. Para novas políticas públicas, para reduzir impostos. Existe essa pressão, (mas) nós entendemos que não é uma boa política, porque está atendendo a um pessoal de classe média alta. Eu deveria olhar aquele que mais precisa.
Colnago ressaltou que nem sempre é verdade que a gasolina atende principalmente a classe média alta, mas disse que reduzir o imposto desse produto é medida cara.
— É injustificável? Não. É muito caro e entendemos que há políticas mais adequadas, se for o caso e quando for o caso. Entendemos que ainda não é o caso. As coisas podem evoluir nesse sentido? Podem. Mas entendemos que ainda não está nessa situação — disse.