O Globo, n 32.370, 23/03/2022. Política, p. 06
YouTube proíbe Vídeos enganos os de fraude eleitoral
Jan Niklas e Marlen Couto
Plataforma restringirá conteúdos com acusações falsas sobre urnas e votos. Medida pode afetar publicações do presidente
O YouTube anunciou ontem que vai proibir vídeos com conteúdo enganoso que afirmem ter ocorrido fraudes nas eleições de 2018. Também serão removidos da plataforma conteúdos com alegações falsas de que as urnas eletrônicas foram hackeadas na última eleição presidencial e de que os votos foram adulterados, algo já descartado por apurações da Polícia Federal (PF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em comunicado, a empresa lembrou que os resultados da eleição de 2018 foram certificados pelo TSE e que, portanto, estão sendo ampliadas as diretrizes para combater conteúdos que promovam alegações falsas sobre fraudes, erros ou problemas técnicos generalizados que joguem dúvidas sobre a lisura do resultado eleitoral.
As regras mais rígidas podem abrir brecha para que sejam removidos da plataforma vídeos do presidente Jair Bolsonaro (PL), que recorrentemente faz ataques às urnas eletrônicas e cita possíveis fraudes.
Em julho do ano passado, por exemplo, Bolsonaro fez uma live prometendo apresentar provas de irregularidades no sistema eleitoral. Na hora da transmissão, ele recuou e não apresentou o material, mas disse ter “indícios fortíssimos” que colocavam em dúvida os resultados.
Além disso, afirmou que não tinha “como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas”.
Bolsonaro chegou a exibir vídeos de supostos eleitores dizendo que votaram nele em 2018, mas que teriam tido os votos anulados. Ao mesmo tempo, repetia: “Não temos provas”. Procurado sobre a live, que segue no ar na plataforma, o YouTube afirmou que analisa internamente o caso. Quando há mudança de diretrizes, a empresa costuma retirar vídeos já publicados que infringirem as normas em vigor.
O Youtube já tinha, entre suas políticas contra desinformação, uma proibição de conteúdo com alegações falsas de que fraudes, erros ou problemas técnicos generalizados mudaram o resultado de eleições presidenciais, mas a medida só valia para os Estados Unidos e Alemanha. Até então, não havia normas específicas para o Brasil.
Segundo a gerente de políticas públicas do YouTube Alana Rizzo, a meta é limitar cada vez mais a disseminação de vídeos enganosos ou que desrespeitem as diretrizes da plataforma:
— Ajustamos o sistema de recomendações para diminuir a visualização de vídeos que chegam perto de violar as diretrizes da comunidade.
O YouTube anunciou também que, ao buscarem informações sobre voto eletrônico, os usuários verão sinalizado um painel para informações oficiais do TSE. Segundo a plataforma, as novas diretrizes não irão restringir matérias jornalísticas que retratem, de forma contextualizada, alegações de autoridades sobre supostas fraudes.