O Globo, n 32.371, 24/03/2022. Economia, p. 13

Brasil aumentará produção de petróleo em 10 %

Manoel Ventura e Bruno Rosa


Ministro de Minas e Energia afirma que acréscimo será de 300 mil barris por dia. Cade amplia prazo para Petrobras vender refinarias

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, anunciou ontem que o Brasil irá aumentar em 10% a sua produção de petróleo neste ano. Isso significa um acréscimo de 300 mil barris por dia, segundo o ministro.

O anúncio foi feito durante encontro anual de ministros de Energia dos países membros e associados da Agência Internacional de Energia, em Paris. Segundo Albuquerque, o aumento da produção de óleo bruto será a contribuição do Brasil para a “estabilização dos mercados globais de energia”, afetados pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

— Quando indústria e governo trabalham em colaboração e consenso no que precisa ser feito, isso permite um impacto maior e mais rápido. Nesse sentido, estou feliz em anunciar que o Brasil vai aumentar sua produção de petróleo, adicionando 300 mil barris por dia até o final do ano —disse o ministro.

O preço do petróleo no mercado internacional disparou após as sanções à Rússia, país responsável por 12% da produção mundial de óleo e gás. A consequência disso é o aumento do preço dos combustíveis ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Nesta semana, o barril do Brent voltou a rodar na casa de US$ 120, depois de ter sido negociado a US$ 100 dias atrás. O valor subiu diante do temor de escassez do produto no mercado global.

Os EUA lideram uma tentativa de aumentar a produção mundial para reduzir a dependência russa e os preços. O Brasil já é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e há cerca de duas semanas o governo americano pediu ao ministro de Minas e Energia para ampliar a produção nacional.

SÓ 3 REFINARIAS VENDIDAS

Em Paris, Albuquerque afirmou que o aumento da produção será possível por causa de mudanças legais.

—Isso é resultado de avanços regulatórios, modernização do mercado brasileiro de energia e investimentos consistentes realizados no pré-sal —disse.

Ao GLOBO, na semana passada, Albuquerque disse que o país está aumentando a sua produção gradativamente. O Ministério de Minas e Energia (MME) estima crescimento de 70% nos próximos dez anos, chegando a 5,3 milhões de barris por dia, o que manterá o status de exportador do Brasil. Embora tenha falado de aumento da produção de petróleo, o ministro disse que “a transição energética deve avançar de mãos dadas com a segurança energética”.

Ele disse que o país tem dado “salto significativo” em fontes limpas e renováveis, como bioenergia e biocombustíveis, solar e eólica, e a eficiência energética. Em outra frente, ontem, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que regula a concorrência no país, estendeu os prazos para que a Petrobras venda as refinarias que integramo rolde obrigações assumidas pela estatal no Termo de Compromisso de Cessação(TCC) firmado para estimular a concorrência no refino de petróleo.

A estatal havia se comprometido a vender metade de sua capacidade de refino, o equivalente a oito refinarias, até dezembro passado. Mas a Petrobras não conseguiu cumprir o acordo. Por isso, apresentou ao Cade pedido de readequação dos prazos de venda.

Das oito unidades previstas, só três foram vendidas. A maior foi a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, para o fundo árabe Mubadala por US$ 1,65 bilhão. A unidade, rebatizada de Mataripe, responde, sozinha, por 14% de toda a capacidade de refino do Brasil.