O Globo, n 32.371, 24/03/2022. Política, p. 06
Ministro busca apoio político para se manter no cargo
Ribeiro ligou para Arthur Lira e para presidente da Comissão de Educação do Senado, além de se reunir com governistas
Pressionado pela suspeita de tráfico de influência em sua pasta, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, se colocou à disposição do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do presidente da Comissão de Educação do Senado, Marcelo Castro (MDB-PI), para prestar esclarecimentos.
Além de fazer ligações para autoridades, Ribeiro recebeu parlamentares governistas na sede do MEC, na manhã de ontem. No encontro, de acordo com relatos, ele demonstrou tranquilidade.
Na conversa com Marcelo Castro, o ministro disse que poderia ser ouvido imediatamente pela Comissão de Educação, independente da aprovação de requerimentos de convocação. Castro respondeu que queria tomar essa decisão sozinho e preferia colocar os pedidos em votação hoje, como já estava previsto. A proposta do presidente do colegiado é que Ribeiro seja ouvido na próxima terça-feira.
Como a Comissão de Educação na Câmara ainda não foi instalada, Ribeiro optou por ligar ao presidente da Casa. Em meio às pressões, Ribeiro esteve na comemoração do aniversário da primeira-dama Michelle Bolsonaro, na noite de terça-feira, e se disse magoado, em conversas com convidados, com cobranças que tem recebido de lideranças evangélicas.
PLANALTO BLINDA
A ofensiva sobre o titular da Educação — ontem, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), formalizou um pedido de impeachment, instrumento não usual, mas que também pode ser usado em caso de ministros — ainda não encontrou eco no Palácio do Planalto. Segundo o blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, aliados de Jair Bolsonaro avaliam que, por ora, Ribeiro ainda conta com o apoio do presidente para seguir no cargo.
Ainda de acordo com o blog, interlocutores do presidente afirmam que Bolsonaro ficou satisfeito em ter sido “blindado” por Ribeiro na nota que o ministro divulgou, ao tentar explicar o áudio de suposto favorecimento do MEC a pastores.
O vice-presidente Hamilton Mourão seguiu nomes motom e minimizou ontem as suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Educação. Segundo ele, por ora, não há motivo para Ribeiro deixar o cargo. De acordo com Mourão, por enquanto só há “indícios” que precisam ser comprovados.
— Enquanto não houver um esclarecimento boma respeito disso aí, acho que não há problema dele continuar no governo, até pela forma como o ministro se comporta. Eu tenho profundo respeito por ele —disse Mourão, ao chegar no Palácio do Planalto.