O Globo, n 32.372, 25/03/2022. Mundo, p. 19

Mais da metade dos menores teve que fugir de casa na Ucrânia



Estima-se que 4,3 milhões foram deslocados, dos quais 1,8 milhão saíram do país

Mais da metade da população de crianças e menores da Ucrânia, estimada em 7,5 milhões, foi obrigada a abandonar suas casas desde que a Rússia iniciou a invasão do país, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Do total das 4,3 milhões de menores deslocados, 1,8 milhão atravessaram a fronteira para buscar refúgio nos países vizinhos e 2,5 milhões permanecem dentro da Ucrânia.

— A guerra provocou um dos maiores e mais rápidos deslocamentos de crianças desde a Segunda Guerra Mundial — afirmou a diretora geral do Unicef, Catherine Russell. — É uma triste realidade que corre o risco de ter consequências duradouras para as próximas gerações. A segurança das crianças, seu bem-estar e o acesso aos serviços essenciais estão ameaçados por uma violência horrível e ininterrupta.

Até agora, ao menos 81 crianças morreram e 108 ficaram feridas, de acordo com os dados publicados na quarta-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que admite que os números são inferiores à realidade. Ainda segundo o Unicef, cerca de 145 mil bebês necessitam urgentemente de suporte nutricional na Ucrânia.

O número de refugiados e deslocados internos chegou a 10 milhões esta semana, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, mais de um quarto da população ucraniana. A União Europeia concedeu aos refugiados vindos da Ucrânia proteção temporária, o que significa que eles podem acessar empregos, educação, cuidados de saúde e habitação no bloco. Além disso, muitos países adotaram medidas para ajudar crianças e suas famílias.

A Polônia recebe a maior parte dos refugiados, com mais de 2 milhões desde o início da ofensiva russa. Mais de 100 mil crianças ucranianas foram matriculadas na escola.