Transcrição
A APROVAÇÃO DE MUDANÇAS NOS PRAZOS DE INELEGIBILIDADE
PREVISTOS NA LEI DA FICHA LIMPA CONTINUA REPERCUTINDO ENTRE OS SENADORES.
ALGUNS DEFENDEM QUE FOI A MELHOR SOLUÇÃO LEGISLATIVA
POSSÍVEL, OUTROS TEMEM UM ENFRAQUECIMENTO NA LEI QUE SURGIU DA INICIATIVA
POPULAR.
JÁ APROVADA, A PROPOSTA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS SEGUIU PARA
A SANÇÃO PRESIDENCIAL. REPÓRTER BRUNO LOURENÇO.
O Senado aprovou na última terça-feira mudanças na contagem
do prazo de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa. O texto unifica em oito anos
o tempo de impedimento para os políticos disputarem as eleições, contado a
partir da condenação ou renúncia. O senador Sergio Moro, do União do Paraná,
apresentou um ajuste de redação para que condenados por crimes graves, como
corrupção e hediondos, só possam se candidatar oito anos após o cumprimento da
pena. Moro acredita que essa alteração no projeto aprovado pela Câmara manteve
o espírito da lei que surgiu do desejo da sociedade.
(senador Sergio Moro) "Ocorre que, naqueles casos de
condenações por crimes graves, especialmente condenações que fossem superiores
ao tempo de oito anos, se tornaria, no fundo, esse prazo de inelegibilidade
inócuo, porque vamos supor: alguém condenado, por exemplo, por corrupção, a dez
anos, enquanto cumpre a pena, tem os direitos políticos suspensos, não pode
concorrer; se fossem contados os oito anos a partir da condenação, quando
terminasse o cumprimento de pena, a pessoa já estaria, na prática, elegível."
Mas para o senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará, faltou
debater melhor a proposta no Senado.
(senador Eduardo Girão) "Não teve uma sequer audiência
pública com a sociedade. Isso é muito grave, porque isso foi uma proposta da
sociedade para esta Casa. Então, por que não ouvir aquelas entidades que se
mobilizaram, que conseguiram quase 2 milhões de assinaturas?"
A regra atual leva em conta o mandato de quem for condenado
na Ficha Limpa.
No caso de senador, com 8 anos de exercício de cargo, a
inelegibilidade pode passar dos 15 anos.
O projeto de lei seguiu para a sanção presidencial. Da Rádio Senado, Bruno Lourenço.