A comissão de assuntos sociais discutiu o consumo abusivo de álcool entre mulheres.

a audiência pública teve como foco alertar a população sobre os riscos e apontar caminhos para prevenção e tratamento. quem traz os detalhes é o Repórter Paulo Barreira.

Entre os principais desafios apontados na audiência pública realizada pela Comissão de Assuntos Sociais estão o aumento do consumo abusivo de álcool entre mulheres e a falta de rede de apoio para tratamento. O debate reuniu especialistas para discutir uma realidade que já não se restringe a um perfil específico e atinge diferentes classes sociais e faixas etárias.

Os especialistas destacaram que, em comparação aos homens, as mulheres sofrem consequências mais graves mesmo em doses menores, evoluem mais rapidamente para o vício e enfrentam riscos ainda maiores durante a gestação e a amamentação. Além disso, lidam com barreiras como maior prevalência de transtornos como ansiedade e depressão, além de violência doméstica e abuso sexual.

A iniciativa do debate foi da senadora Leila Barros, do PDT do Distrito Federal, que defendeu a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e à saúde da mulher.

(senadora Leila Barros) “O consumo abusivo de álcool é responsável por inúmeros impactos sociais, econômicos e de saúde pública. Esta audiência é um passo fundamental para compreendermos melhor o fenômeno do alcoolismo entre as mulheres e, principalmente, para avançarmos na construção de respostas legislativas e de políticas públicas que protejam a saúde, a dignidade e, claro, o futuro de todas nós brasileiras”.

Um ponto em comum durante o debate foi a defesa da criação de leis que regulem a publicidade e o marketing de bebidas alcoólicas, especialmente nas redes sociais, onde anúncios chegam também a menores de idade. A assessora da ACT Promoção da Saúde, Juliana Ferreira, alertou para o risco de a indústria usar a emancipação feminina para vender mais álcool.

(Juliana Ferreira) “É necessário impedir a normalização do álcool porque, assim, a gente olha para a saúde dessas mulheres também e a gente não pode deixar que a indústria se utilize de uma pauta tão louvável para lucrar em cima da saúde dessas mulheres porque consumo não significa emancipação”.

No Senado já tramitam propostas sobre o tema. A primeira, de autoria do senador Styvenson Valentim, do PSDB do Rio Grande do Norte, pretende restringir propagandas de bebidas alcoólicas, nos moldes do que já foi feito com o cigarro. Já a segunda, que veio da Câmara, busca criar um programa de saúde específico no SUS voltado ao atendimento de mulheres alcoolistas. Sob a supervisão de Samara Sadeck, da Rádio Senado, Paulo Barreira.