Transcrição
De autoria do senador Confúcio Moura, do MDB de Rondônia, o
projeto aprovado na Comissão de Direitos Humanos estabelece princípios gerais
de acesso ao judiciário por comunidades indígenas. O texto reconhece a
organização social e as formas de cada povo buscar resolução de conflitos e
permite que esses grupos entrem na justiça mesmo sem registro de pessoa
jurídica.
A
proposta altera o Estatuto dos Povos Indígenas, de 1973, que submete os povos
originários à tutela da União. Mas o projeto aprovado retira a responsabilidade
judicial do Estado, concordando com a Constituição de 1988, que reconhece os
indígenas como aptos para defender seus direitos e interesses, como lembrou a
relatora, senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal.
(senadora Damares Alves) "Para
substituir esse sistema de tutela e emancipação ainda formalmente previsto no
estatuto por diretrizes e princípios que garantam o acesso à justiça a essa
população. Trata-se de uma iniciativa que busca alterar o texto legal, que já
se sabe não recepcionado pela Constituição, para dar-lhe nova roupagem sob a
ótica constitucional vigente".
O projeto garante autonomia dos povos
indígenas na contratação de advogado ou representação pela Defensoria Pública,
além de permitir que as comunidades entrem em processos de seu interesse em
qualquer momento e grau de jurisdição. Além disso, assegura aos indígenas a
compreensão dos atos processuais, com participação de intérprete ou uso de
linguagem acessível.
A proposta ainda promove a oferta de cursos
de qualificação de magistrados e serventuários, com auxílio de antropólogos e
cientistas sociais, especialmente em regiões com maior população indígena. O
projeto agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça.
Sob supervisão de Samara Sadeck, da Rádio
Senado, Lana Dias.