Valor Econômico, v. 23. n. 5666, 11/01/2023, Agronegócios, B6
Novo recorde à vista na exportação de carne de frango
Fernando Lopes e José Florentino
As exportações de carne de frango do país (in natura e processada) confirmaram as expectativas e bateram novos recordes em 2022. E diante da demanda aquecida e dos problemas sanitários que prejudicam outros países fornecedores, a tendência é que novas marcas históricas sejam alcançadas em 2023.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques somaram 4,822 milhões de toneladas no ano passado, 4,6% a mais que em 2021, e renderam US$ 9,762 bilhões, um aumento de 27,4% na mesma comparação.
O fato de a receita ter crescido mais do que o volume reflete a alta dos preços dos cortes, que garantiu resultado positivo em dezembro. Apesar de o volume dos embarques ter caído 6% no mês passado em relação a dezembro de 2021, para 386,3 mil toneladas, a receita aumentou 9,2%, para US$ 785,2 milhões.
“A reconfiguração do mercado internacional de proteína animal, marcado pelos efeitos do conflito no Leste Europeu, do aumento dos custos de produção na União Europeia e do quadro sanitário da avicultura nos cinco continentes, está entre os fatores determinantes para os recordes registrados no ano que se encerrou”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA, em nota.
Nesse contexto, diz, o Brasil, que nunca registrou casos de influenza aviária, manteve-se como “porto seguro” para o suprimento global e deverá sustentar os mesmos patamares de exportações em 2023.
O Rabobank disse, em relatório recente, que o aumento de casos de influenza aviária tem afetado as exportações globais da proteína. O número de ocorrências bateu recordes na América do Norte e na Europa em 2022.
Com casos confirmados na Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, há receio de que o vírus atinja a produção no Brasil, que já montou um esquema especial de fiscalização para evitar a visita indesejada. “Se isso ocorrer, atrapalhará o comércio global, dada a dependência que o mundo tem do Brasil”, diz o Rabobank.
A China continua a ser o principal destino da carne de frango brasileira, assim como ocorre nas carnes bovina e suína. Mas o volume de vendas aos chineses caiu 15,6% em 2022, para 540,5 mil toneladas. Os Emirados Árabes Unidos vieram em segundo lugar, com importações de 444,9 mil toneladas (avanço de 14,2%).
A demanda global tende a seguir firme porque a carne de frango é mais barata que a bovina e que a suína, lembra o Rabobank. Cenários de desaceleração econômica e inflação em alta “normalmente se traduzem em fortalecimento da demanda”. Em muitos países, o limite do consumo será justamente a oferta, o que poderá desencadear um aumento de preços e, consequentemente, do fluxo internacional.
Conforme a ABPA, o Brasil deverá exportar até 5,2 milhões de toneladas de carne de frango este ano - 35% da produção esperada -, o que representaria um aumento de 8,5% em relação ao volume embarcado em 2022. Em outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou um aumento de 4% nos embarques brasileiros, para 4,8 milhões de toneladas - mais de um terço do total global.
O USDA destacou que uma das vantagens brasileiras é a diversificação dos produtos exportados. “O Brasil é, por exemplo, um fornecedor robusto de produtos halal para o Oriente Médio, que têm previsão de forte demanda em 2023”, citou o órgão americano.