Rodrigo Trespach narra como os alemães chegaram ao Brasil

00:00 [Música de abertura]

00:05 Locutora (Voz em OFF): Passamos a apresentar "Autores e Livros", sua revista eletrônica semanal sobre o mundo literário.

00:15 Anderson Mendanha: Olá pessoal, sou Anderson Mendanha e começa agora mais um "Autores e Livros", que hoje fala dos 30 anos da morte de Ayrton Senna e dos 200 anos da imigração alemã no Brasil. Vamos juntos!

00:29 Anderson Mendanha: No livro "1824", o historiador Rodrigo Trespach narra a construção da comunidade de imigrantes alemães a partir do surgimento da colônia em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. No livro, Trespach conta os detalhes desse processo imigratório, que completa 200 anos agora em 2024, a partir de documentos, cartas, ofícios e uma vasta bibliografia, e entrelaça a vida dos líderes políticos, militares, artesãos, agricultores e camponeses. Essas pessoas atravessaram o oceano em busca de uma vida melhor. Na entrevista da semana, Rodrigo Trespach fala mais deste livro pra gente.

01:13 [Vinheta]: Entrevista.

01:17 Anderson Mendanha: E a gente conversa agora com o historiador Rodrigo Trespach sobre o livro "1824", que narra a chegada dos imigrantes alemães ao Brasil. Rodrigo, bem-vindo mais uma vez ao "Autores e Livros".

01:31 Rodrigo Trespach: Oi Anderson, é um prazer poder falar contigo novamente, falar sobre um tema que nós gostamos muito, que é livros, e especialmente esse que é sobre a imigração alemã e que completa 200 anos esse ano.

01:44 Anderson Mendanha: 200 anos da chegada dos imigrantes alemães ao Brasil. A gente sabe, né, que já tivemos vários alemães passando pelo Brasil desde 1500: pesquisadores, botânicos, pintores, músicos... mas como imigração de uma forma organizada, a data é 1824 e é o que você narra nesse livro. Conta um pouquinho pra gente a saga dessas pessoas que saíram das suas terras, ali no que hoje é a atual Alemanha, para vir para o Brasil.

02:17 Rodrigo Trespach: Exatamente, Anderson. A gente trata no livro desde as primeiras experiências com populações de língua, do idioma alemão, e como tu já falou, realmente o Brasil foi visitado ao longo dos séculos por esses viajantes naturalistas, principalmente. Mas como projeto de governo, né, patrocinado pelo governo brasileiro de forma independente, a gente vai ter algumas experiências anteriores também de forma de iniciativa privada no sul da Bahia e depois iniciativas também do governo português no Rio. Mas assim, com o Brasil independente a partir de 22, é esse projeto de 1824 com a chegada desses alemães. Como tu bem fez menção também, esses alemães eles não são alemães como a gente conhece hoje, como a Alemanha é conhecida hoje. São vários países que formavam uma confederação que mais tarde vai se formar o Império Alemão. Então são dessas populações falantes do alemão desses vários países: de Baden, Baviera, Hesse, o Grão-Ducado de Hesse principalmente é a origem da maioria dessas primeiras levas que vem pro Brasil a partir de julho de 1824. O governo brasileiro enviou para a Alemanha o Major Schaeffer para buscá-los, né, uma ideia dentro de uma ideia de um projeto de colônia rural-militar que era do José Bonifácio, né, o conselheiro do Dom Pedro Primeiro, de instalação de colônias agrícolas que tivesse também uma iniciativa de industrialização e muitos soldados também. O Brasil estava às voltas com a questão da independência, né, a ruptura com Portugal, então havia necessidade de soldados também. Então vão vir alguns soldados também. Então o Schaeffer vai até esses países de língua alemã, oferece o projeto do governo brasileiro que incluía aí terras, né, uma grande quantidade de terras, sementes, ferramentas, animais, tudo o que fosse necessário para que eles pudessem começar uma nova vida e implantar esse sistema econômico de mão de obra livre no país. O primeiro navio com eles, com esses alemães, chega no Brasil em janeiro de 1824. A primeira leva ainda é enviada para Nova Friburgo, a colônia suíça que havia sido criada pelo Dom João Sexto no Rio, mas as levas subsequentes vão ser enviadas para a região sul, uma questão de geopolítica. O Brasil precisava manter segura essas fronteiras e o Rio Grande do Sul ainda era pouco povoado, né. Então é para lá que a partir de julho de 1824 as levas vão se suceder, vão chegar e vão se instalar ali. A gente vai ter aí ao longo do Primeiro Reinado cerca de 11 mil falantes do idioma alemão que vêm pro Brasil, cerca de 3 mil deles vão ser como soldados. Esses soldados, alguns vão voltar para a Alemanha, para a Europa, né, e outros vão permanecer no Rio, mas aí cerca de pouco mais de 5 mil alemães vão se dirigir então para São Leopoldo. Como eu disse, eles recebem aí incentivos, né, inclusive subsídios para se manterem, para sobreviverem até que se pudesse demarcar terras, plantar e colher. As dificuldades foram imensas na questão da língua, né, como vocês podem imaginar, o alemão não se parece em nada com a língua portuguesa, então foi uma barreira. A questão da própria adaptação à terra, né, a Alemanha tem um tipo de produção agrícola, um tipo de fauna e flora, e o Brasil tem outra bem diversificada, então também a adaptação ao meio, né, como conviver no meio que inicialmente é hostil a quem não conhece. A questão da religião foi um impacto bem grande assim, porque o Brasil era um país oficialmente católico pela Constituição de 24, e a maioria das levas, né, mais da metade dessas pessoas que vieram professavam a fé, o credo, né, protestante, né, em sua maioria luteranos e calvinistas. Então também foi um desafio então.

06:14 Anderson Mendanha: Entre esses desafios aí que você citou no início da nossa conversa, a questão da língua que é uma língua bem diferente, mas eu gostaria de comentar sobre a dificuldade da religião. A grande maioria de credo protestante, luteranos, calvinistas, chegam a um Brasil católico. Qual foi a dificuldade maior dessa implantação da igreja protestante aqui no Brasil e se houve atritos, se houve conflitos por conta disso?

10:39 Rodrigo Trespach: Ah, muitos atritos, né. O Brasil tinha experiências com protestantes anteriormente, né. A gente vai lembrar aí da França Antártica no século XVI, né, os franceses calvinistas do Maranhão também... mas de forma efetiva e permanente são com os luteranos que chegam a partir de 1824. As dificuldades eram imensas porque a constituição ela proibia qualquer manifestação de imigrantes que professassem o seu, que externassem o seu credo, né. Igrejas, por exemplo, não podiam ter torres nem campanários que identificassem aquele templo, aquela edificação como uma templo religioso, né. E os pastores eram proibidos de, por exemplo, acompanhar féretros, enfim, fazer... havia dificuldades. Por exemplo, a gente vai ter disputas em Nova Friburgo entre o pastor Sauerbronn, que é o primeiro pastor luterano no Brasil, e o padre Joli que lá estava. Aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, a gente vai ter um exemplo bem interessante que é quando se cria a segunda colônia do estado em 1826, o governo imperial decide criar a colônia e separar os grupos: cria uma colônia protestante e um pouco distante envia os católicos. Então são colônias que eram para ser uma só, um só núcleo colonial, e ele é dividido em dois para que não permaneçam juntos, né. Então sim, tem essas dificuldades, esses atritos, e eles só vão... os protestantes só vão ganhar os direitos religiosos de externar isso já quase no final do Império, né. Só vai acabar com a... só vai ser possível a liberdade de igual de direito de profissão de fé a partir da República.

12:12 Anderson Mendanha: "1824" é um livro extenso, tem 368 páginas, ou seja, quase 400 páginas de uma longa pesquisa, de uma pesquisa extensa, muito bem feita, publicado pela Citadel. Tem uma produção gráfica muito bonita. Não dá pra gente falar do livro todo aqui nessa entrevista, mas eu queria pra gente encerrar falar de uma coisa que tá na capa e que chama atenção, que é a questão da existência de um plano para assassinar Dom Pedro Primeiro. Comente isso pra gente, Rodrigo.

12:44 Rodrigo Trespach: É um fato curioso e bem pouco conhecido da história brasileira. A partir de 1826 o Brasil entra numa guerra com a Cisplatina, que é o atual Uruguai. Essa Cisplatina vai romper, vai se separar do Brasil e essa guerra eles têm apoio dos argentinos. Em torno de todos os países da América do Sul, com povoamento, né, colonização espanhola, eles falam o espanhol e se transformam a partir da independência deles em repúblicas. O Brasil é o único que se transforma num império, né. E essa disputa entre Brasil e uruguaios e argentinos, o governador da província de Buenos Aires, Manuel Dorrego, ele tem um plano mirabolante que é sequestrar ou então, se for necessário, assassinar o Dom Pedro Primeiro com a ideia de derrubar a monarquia no Brasil que estava centrada no Rio a partir de Dom Pedro Primeiro e com isso ele ganharia, venceria, acreditava ele, né, venceria a guerra e inclusive havia um plano dentro desse plano: as províncias do sul do Brasil — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — seriam anexadas a essa república argentina, fariam parte da confederação argentina. Então a gente conta em detalhes no livro aí como eles se mobilizaram, enfim, o que que eles fizeram, a revolta que teve em 1828 no Rio que envolveu também soldados alemães e o que que o Dom Pedro, né, como é que aconteceu essa questão toda, como é que eles enviaram espiões, enfim, quem eram esse pessoal, tá tudo em detalhe a gente conta no livro.

14:06 Anderson Mendanha: Muito bem então. Rodrigo, onde é que a gente pode encontrar o livro?

14:09 Rodrigo Trespach: Anderson, a gente pode... até peço que as pessoas me acompanhem nas redes sociais, né, a gente sempre divulga promoções do livro assim, mas em todas as livrarias do Brasil, livrarias físicas e também nas plataformas online tá disponível o "1824". Eu espero que as pessoas possam comprá-lo e ler um pouquinho porque é interessante para conhecer um pouquinho mais a história do Brasil. Eu sempre digo que conhecer a história do Brasil é um importante exercício de cidadania. Quanto mais a gente conhece a história do país, melhor a gente tem uma análise geral da história do país e nos ajuda a enfrentar os desafios futuros. E aí quem quiser me acompanhar nas redes sociais via Instagram, enfim, a gente também tem o site, a gente sempre posta ali links, enfim, com promoção. É sempre interessante, né. Quem gosta de consumir livro sempre gosta também de uma promoçãozinha para auxiliar. O Instagram é rodrigo.meusobrenome, né, TRESPACH. E o site é rodrigo.trespach.com.br. Também tem todas as minhas palestras, as atividades que a gente faz, artigos e links. Acho que o pessoal é bem fácil de encontrar.

15:13 Anderson Mendanha: Rodrigo, obrigado mais uma vez pela conversa, parabéns por esse livro, um livro gostoso de ler, e fica o convite aqui para você voltar mais vezes, a conversa é sempre gostosa por aqui.

15:23 Rodrigo Trespach: Agradeço mais uma vez, Anderson, a ti, teu programa e rádio senado. Sempre um prazer poder falar contigo.

15:30 Anderson Mendanha: Essa então foi a entrevista com o historiador Rodrigo Trespach sobre o livro "1824", publicado pelo Grupo Citadel, que você encontra disponível nas livrarias, na Amazon e nos demais portais da internet.

15:45 Anderson Mendanha: E abro esse bloco falando dos 30 anos da morte de Ayrton Senna. Já está nas livrarias a versão atualizada da biografia "Ayrton, o herói revelado", do jornalista Ernesto Rodrigues. A edição atualizada e contextualizada abrange acontecimentos significativos ocorridos no período pós-Senna, tanto aqui no Brasil como no mundo da Fórmula 1. Nos quase 100 novos trechos inseridos no texto da biografia original estão relações amorosas, bastidores das temporadas em que ele dividiu a McLaren com o grande rival Alain Prost, a crise interna que precedeu o acidente polêmico na decisão do campeonato de 1990 e muito mais. A nova edição traz também um relato do campeão mundial de Fórmula 1 Lewis Hamilton. Eu conversei com Ernesto Rodrigues sobre esse livro e sobre essa versão atualizada para o nosso podcast "Autores e Livros Doses Extra". Vamos ouvir um trecho dessa entrevista.

16:53 Anderson Mendanha: Ernesto, 20 anos depois do lançamento da primeira versão desse livro, "Ayrton, o Herói Revelado", agora nos 30 anos da morte do nosso grande Ayrton, você traz uma nova versão atualizada dessa biografia que já é um marco, né. O que que essa nova edição traz pra gente?

17:05 Ernesto Rodrigues: Olha, primeiro é o seguinte: eu achava que ela era importante nessa altura dos 30 anos voltar ao assunto e atualizar, porque eu acho que essa data redonda de 30 anos, ela marcou pelo menos três gerações. Eu costumo dizer que quem tinha 10 anos quando Ayrton Senna morreu hoje tem 40, quem tinha 20 hoje tem 50, né, e quem tinha 30 anos na época hoje tem 60. Então são três gerações que de diferentes maneiras eu acho que foram muito impactadas pela morte do Ayrton e também pela própria carreira dele, os 10 anos que antecederam a morte dele, que foram anos que mexeram muito com a autoestima do brasileiro, com a torcida, com sentimentos que ultrapassaram muito a esfera do automobilismo. E como eu tinha feito uma série de documentários posteriores ao livro nos quais eu entrevistei cerca de 60 pessoas no Brasil e em vários outros países sobre o Ayrton, eu achei que valia a pena fazer uma releitura do livro atualizando o livro e enriquecendo o livro que já tinha cerca de 240 entrevistas e eu fui acrescentando e enriquecendo os vários momentos do livro do ponto de vista cronológico desde a infância até a morte dele. E também uma coisa importante que eu fiz que eu acho que foi interessante que quem vai ler vai perceber é uma contextualização do Ayrton, da importância que ele continua tendo não só para os brasileiros como no próprio universo da Fórmula 1, uma contextualização também que o coloque na perspectiva do que aconteceu depois, como nos títulos todos, os pilotos que surgiram depois como Lewis Hamilton, como Schumacher que se consagrou depois dele e tal. Então quer dizer, e também o que aconteceu no Brasil depois, a memória que as pessoas tiveram dele, a permanência dele. Foi tudo isso que fez com que eu fizesse essa atualização, que se você contasse entre frases que eu acrescentei e parágrafos, quase 100 inserções novas nessa edição que tá sendo lançada agora.

19:16 Anderson Mendanha: O título já é emblemático, né, "O Herói Revelado". Nesse seu processo de atualização você confirma que o Ayrton continua sendo um herói brasileiro?

19:27 Ernesto Rodrigues: Ah, sem dúvida nenhuma, sem dúvida nenhuma. E ele herói, e justamente por ser herói, eu acho que ele continua sendo um objeto de interesse de quem quer uma biografia clássica. O que que eu chamo de biografia clássica? É um livro que não conta... esse livro não é feito só para quem gostou de Fórmula 1 ou quem gosta de Fórmula 1. Ele é uma biografia clássica no sentido de que ele reconstitui os vários aspectos da vida do Ayrton, criando... já que o Ayrton criou essa curiosidade que toda pessoa tem por um ídolo, por heróis ou por pessoas importantes de qualquer natureza, né. Que então, quer dizer, esse mergulho na vida dele eu acho que é uma resposta a um sentimento que eu percebo que continua até hoje. Quer dizer, até uma questão muito simples, se você lembrar de quando você no trânsito em qualquer cidade do Brasil — em Brasília, no Rio, em São Paulo, no Nordeste, no Sul — você está sempre vendo um carro e pode ser um carro popular baratinho ou pode ser um carro importado muito caro, você vê lá na traseira do carro aquele S famoso, aquele logotipo famoso que mostra assim o desejo do dono do carro de mostrar a ligação dele com Ayrton até hoje. Quer dizer, isso para mim é apenas um dos sinais que mostram a permanência dele como um herói, como uma referência muito importante para os brasileiros, principalmente no que eu acho que é um espécie de antídoto que ele foi e que ele continua sendo contra o famoso complexo de vira-lata que muita gente cultiva, né. Inclusive a própria elite da qual ele saiu gosta muito de cultivar e de dizer que gosta muito de ir para Miami e chamar os Estados Unidos de América e ficar depreciando o Brasil. Pois ele é um antídoto porque na medida em que ele foi um brasileiro que venceu lá fora e se impôs num esporte de altíssima tecnologia, um esporte que envolve só país industrializado com muito desenvolvimento, e ele foi lá e se impôs lá como um dos grandes da história da Fórmula 1. Então esse simbolismo dele, esse significado dele para o brasileiro de qualquer idade, eu diria, e de qualquer faixa também social, de qualquer classe social, isso para mim que o faz muito permanente ainda na vida brasileira.

21:51 Anderson Mendanha: Essa foi parte da conversa com Ernesto Rodrigues, autor da biografia "Ayrton, o herói revelado", publicado pela editora Tordesilhas. Esse livro é uma leitura obrigatória para todos que gostam de automobilismo e para quem quer conhecer melhor a trajetória de Ayrton Senna. Se você quiser escutar a entrevista completa, ela está disponível no site da Rádio Senado e também no Spotify e nas demais plataformas de podcast. Basta procurar por "Autores e Livros Dose Extra: Ernesto Rodrigues". Se preferir, pode buscar o link da entrevista lá no Instagram. Basta usar a hashtag #DicasAutoresELivros.

22:33 Anderson Mendanha: E é hora da poesia com "Encantos Diversos", que hoje nos traz um pouco da obra de José Paulo Paes.

22:42 [Música tema de Encantos Diversos]

22:43 Locutora (Marluce Ribeiro): "Encantos Diversos". Poemas que tocam.

22:48 Marluce Ribeiro: Olá! Hoje o "Encantos Diversos" traz para você obras do poeta paulista José Paulo Paes, que viveu de 1926 a 1998. Poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta, José Paulo Paes nos deixou extensa obra. Entre elas, "Prosas seguidas de odes mínimas", publicada em 1992, de onde selecionei para você os três poemas desta edição. Vamos começar ouvindo "Canção do Exílio".

23:22 [Poema narrado com fundo musical]: Um dia segui viagem sem olhar sobre meu ombro. Não vi terras de passagem, não vi glórias nem escombros. Guardei no fundo da mala um raminho de alecrim. Apaguei a luz da sala que ainda brilhava por mim. Fechei a porta da rua, a chave joguei ao mar. Andei tanto nesta rua que já não sei mais voltar.

23:45 Marluce Ribeiro: O livro "Prosas seguidas de odes mínimas" reflete o momento difícil da vida do poeta, quando José Paulo Paes teve de amputar uma perna. Motivo pelo qual dedicou versos à sua perna esquerda.

24:02 [Poema narrado com fundo musical]: Pernas, para que vos quero se já não tenho porque dançar? Se já não pretendo ir a parte alguma? Pernas, basta uma!

24:14 Marluce Ribeiro: Na mesma obra, prestou homenagem à própria bengala.

24:18 [Poema narrado com fundo musical]: Contigo me faço pastor do rebanho de meus próprios passos.

24:26 Marluce Ribeiro: Em outro poema, José Paulo Paes compôs uma ode aos óculos.

24:31 [Poema narrado com fundo musical]: Só fingem que põem o mundo ao alcance dos meus olhos míopes. Na verdade, me exilam dele, ao filtrar-lhe a menor imagem. Já não vejo as coisas como são. Vejo-as como eles querem que as veja. Logo, são eles que veem, não eu. Que mesmo cônscio do logro lhes sou grato por anteciparem em mim o Édipo curioso de suas próprias trevas.

25:02 Marluce Ribeiro: A década de 1980 marca o interesse de José Paulo Paes pela poesia infantil. E agora deixo você na companhia de Raul Seixas interpretando canção dele em parceria com Paulo Coelho, "Como Vovó Já Dizia", também conhecida como "Óculos Escuros".

25:20 [Música: "Como Vovó Já Dizia" - Raul Seixas]

27:38 Marluce Ribeiro: Esse foi o "Encantos Diversos", produzido e apresentado por Marluce Ribeiro.

27:44 Anderson Mendanha: E o "Autores e Livros" de hoje vai ficando por aqui. Obrigado mais uma vez pela sua companhia. Sou Anderson Mendanha e o "Autores e Livros" teve produção de Ana Beatriz Santos e Gabriela de Macedo, com trabalhos técnicos de Welton Araújo e Antônio Carlos Soares. Até a semana que vem, boa leitura!

28:02 Locutora (Voz em OFF): Acabamos de apresentar "Autores e Livros", sua revista eletrônica sobre o mundo literário.

28:13 [Fim do Áudio]