Marcelo Bortoloti

00:00 - Locutora: Passamos a apresentar Autores e Livros, sua revista eletrônica semanal sobre o mundo literário.

00:14 - Anderson Mendanha: Olá, pessoal, sou Anderson Mendanha e começa agora Autores e Livros Dose Extra, que toda semana traz um conteúdo especial sobre o mundo da literatura. Em destaque no programa de hoje, o livro Di Cavalcanti: modernista popular, biografia de Marcelo Bortoloti publicada pela Companhia das Letras. Uma incursão na personalidade caleidoscópica de um dos grandes ícones do modernismo brasileiro em suas facetas artística, intelectual e boêmia. Marcelo Bortoloti conversou com o jornalista Maurício de Melo Júnior sobre Di Cavalcanti para o programa Leituras, da TV Senado. Vamos ouvir essa entrevista.

00:54 - Maurício de Melo Júnior: Marcelo, você está lançando o Di Cavalcanti, né, o modernista popular, que é a sua segunda experiência como biógrafo. Você escreveu antes uma biografia do Guignard e agora está biografando o Di Cavalcanti, sempre buscando o pessoal das artes plásticas, os pintores. Quer dizer, como é esse processo de escolha do personagem para uma biografia? Como é, pelo menos, na sua experiência?

01:29 - Marcelo Bortoloti: Nesse caso foi um pouco aleatório porque, na verdade, eu já venho pesquisando o Di Cavalcanti há alguns anos e é um personagem que eu reparei que tinha uma existência muito turbulenta, vamos dizer, uma vida que estava envolvida com vários acontecimentos políticos, econômicos do país, enfim. Ele era uma figura representativa da nossa história recente, né? Então isso me interessou, sobretudo porque estava havendo, na época lá, a comemoração do centenário da Semana de 22 e ele foi um dos idealizadores. Então, assim, era oportuno falar dele. O fato de ser um pintor, que é um campo mais específico das artes, não anula também a sua existência como agitador cultural, uma figura assim que participou, de fato, da vida política e cultural do país no século passado, né? Então eu acho que ele é um elemento assim representativo da nossa sociedade e a escolha foi um pouco por isso, assim. No caso do Guignard, ser pintor também, eu tive outras experiências com, fazendo um livro sobre o Belchior, né, no caso o músico, estudei no meu doutorado o Drummond, poeta, então esses personagens do universo cultural me interessam, particularmente o Di, que é uma expressão na pintura, mas também ele é uma expressão, vamos dizer, que permeia toda a vida cultural do país, né? Quer dizer, a expressão dele como indivíduo e como artista.

03:17 - Maurício de Melo Júnior: O seu livro, ele ponteia muito os movimentos culturais, sobretudo da primeira metade do século XX, né, a partir da Semana de Arte Moderna. O Ruy Castro chega a dizer que o criador da semana realmente é o Di Cavalcanti, né, mas que ele foi meio que envolvido pela onda depois e tal e acabou quase que alijado do processo, né? Mas você fala muito de um ambiente curioso, né, que é o ambiente de pouca receptividade inicial dessa arte moderna. Seu livro se ponteia muito por aí. Por que essa opção? Como é essa busca dessa formação primária do modernismo brasileiro?

04:01 - Marcelo Bortoloti: Era um movimento de vanguarda que, naturalmente, estava indo de encontro aos parâmetros estabelecidos da arte no Brasil, né? Mas eu acho que, particularmente, o Di Cavalcanti nesse contexto, ele tem um lugar um pouco específico, como você estava dizendo. Ele foi, segundo fontes aí, aquele que deu a ideia da Semana de Arte Moderna, né? No entanto, a semana ela foi, de alguma maneira, apropriada por uma certa elite paulistana, da qual o Di Cavalcanti não participava. Ele vem de uma família humilde, ele vem do Rio de Janeiro, criado no São Cristóvão, que é um bairro periférico, então ele não participava, vamos dizer assim, tão, não estava tão integrado a essa elite cafeeira que tomou a frente do movimento ali no Teatro Municipal, né? Então eu acho que ele não chegou a ser alijado do processo porque ele foi uma das figuras que ajudou a criar essa iconografia nacional que a gente conhece hoje, que a gente se reconhece nela, né? Como um tipo de, foi um momento de construção do Brasil moderno, né? Se na época havia algum tipo de resistência, depois isso foi superado e eu acho que houve uma elaboração de toda a iconografia referente ao Brasil que até hoje nos serve como referência do Brasil, né? E o Di Cavalcanti foi um dos elaboradores dessa iconografia, né? Então, de alguma maneira, ele está intimamente associado a esse movimento, né? É difícil dissociá-lo. Mas na época ele enfrentou uma série de problemas, até de outra ordem, ordem financeira e enfim.

05:59 - Maurício de Melo Júnior: E me parece que essa Semana de Arte Moderna, pelo menos do que a gente tem de referências históricas, é que ela servia mais como um ponto de afirmação do poderio econômico de São Paulo, né? Ela serve como uma espécie de redesenhar a importância de São Paulo no contexto econômico brasileiro daquele período, né? E que isso foi levado ao longo da história, né? E talvez daí decorra um pouco, pelo menos historicamente, o que a gente lê historicamente sobre a Semana de Arte Moderna, pouca referência se faz ao Di Cavalcanti, ou é pelo menos um engano meu, né? Porque talvez eu tenha uma leitura mais literária do fato, né, do que com relação às outras artes, né?

06:53 - Marcelo Bortoloti: É, talvez a literatura tenha ganho assim um certo protagonismo no movimento, embora fosse um movimento assim que agregasse, tanto da literatura como da pintura, da música, né, um movimento que conseguiu agregar, vamos dizer, vários campos de produção artística e esse foi o diferencial do movimento. Mas, de fato, ele foi de alguma forma ofuscado talvez por esse protagonismo da literatura e também de um protagonismo de São Paulo, porque, na verdade, estava acontecendo naquele mesmo momento avanços dessa modernidade no Brasil todo, né? E eu acho que, particularmente, o Di Cavalcanti vindo do Rio e ser uma expressão desse tipo de avanço é interessante porque coloca também em perspectiva que no Rio de Janeiro estava havendo muita coisa simultaneamente a esse movimento de São Paulo, né?

07:51 - Maurício de Melo Júnior: Inclusive artistas que estavam no Rio de Janeiro terminam não indo, né, o caso do Bandeira, por exemplo, que não chegou a ir, mas teve uma participação, o Villa-Lobos, no caso da música e tal. Uma coisa que chama muita a atenção no seu texto, na sua biografia, o certo diálogo que eles tentam estabelecer com as vanguardas estrangeiras, né, sobretudo as vanguardas parisienses. Essa necessidade de ir a Paris para se firmar como artista no Brasil. O Oswald de Andrade faz isso, a Pagu, o Di Cavalcanti, enfim. O que era esse apelo de Paris nesse momento?

08:35 - Marcelo Bortoloti: Na verdade, a referência da geração do Di Cavalcanti foi Paris, foi a França, né? Desde pequeno, toda a influência que ele recebeu era francesa. A geração dele é uma geração assim afrancesada. Essa construção da modernidade também foi, vamos dizer, absorvida das vanguardas que nasciam lá fora, né? Por isso que, mais do que 1922, o movimento de fato, quer dizer, a invenção da modernidade brasileira aconteceu em 1923 em Paris, porque em Paris em 23 estavam todos lá: Oswald de Andrade, Tarsila, Anita Malfatti, Brecheret e Di Cavalcanti, né? O Di foi como correspondente do jornal Correio da Manhã, né, foi trabalhar como repórter porque ele era o único dessa, desse núcleo que não tinha meios, né, nem família abastada, nem bolsa do estado para ir para lá. E foi a primeira viagem dele a Paris e ele voltou de Paris com toda, vamos dizer, todo impregnado, né, dessa modernidade francesa, que era, sobretudo, uma modernidade que prezava a valorização dos regionalismos. Então, assim, eles foram para a França e lá descobriram o Brasil porque lá a vanguarda, vamos dizer, pregava ou pressupunha de que eram os negros, os periféricos, né, que dariam voz a esse, a esses movimentos de modernização, né? Então lá eles descobriram a força do negro brasileiro, né, pelo interesse que eles visualizaram que havia lá, né? Então eu acho que essa influência da França foi fundamental na formação de todo esse movimento modernista, né.

10:34 - Maurício de Melo Júnior: É neste momento que dá-se a aproximação dele com os movimentos políticos da época. Ele se torna comunista, né, ele participa, ele chega a ser filiado ao partido, né? Não sei se ele chegou a ser candidato, muitos foram: Graciliano, enfim, né? Quer dizer, como é que foi também essa formação política do Di Cavalcanti?

10:59 - Marcelo Bortoloti: O Di Cavalcanti se difere dos outros modernistas justamente porque ele vem de uma família pobre ou decadente, né? E esse lugar de nascimento fez com que ele desenvolvesse logo cedo uma senção, um sentimento de pertencimento a uma classe diferente dessa elite. Todas as experiências que ele teve desde cedo tendo que trabalhar para sobreviver e nesse encontro aí com pessoas muito bem abastadas ali da economia cafeeira de São Paulo, né, ele percebia uma certa, um certo lugar diferente. Isso está presente muito no que ele fala, no que ele escreveu na época, né? Então essa consciência social, vamos dizer assim, uma consciência de classe já começou a envolvê-lo ali naquele período de 22. E quando ele vai para Paris trabalhando como repórter, o jornal que ele trabalhava foi fechado pelo governo em 1924 e ele ficou em Paris morar com operários no subúrbio, teve que pintar cartazes de rua, assim, pintar à mão paredes e aí essa experiência assim já começa, vamos dizer, a consolidar uma, uma coisa que vai ser definitiva na obra dele nos anos seguintes, que é uma, uma tendência política assim, né, que é uma tendência de, de olhar para os desfavorecidos. Coisa que não havia ainda nesse grupo modernista, ainda muito que ele chamava de estetas, né, muito preocupados com a questão estética, com as discussões assim de forma, né, e não com conteúdo. Ele já nesse momento se engaja numa luta por conteúdo e por participação social, né? Mais tarde, depois da volta de Paris, ele vai se filiar ao partido comunista, acaba preso, enfim, tem uma série de percalços por conta dessa militância, mas ele é o primeiro a despertar para esse tipo de luta, né, justamente por causa da sua origem, da sua... é isso.

13:04 - Maurício de Melo Júnior: Me parece, né, pelo menos pelo que a gente lê, que essa militância, ela foi uma militância muito intensa, né, você descreve, ele foi um operário do partido, né, de entregar panfleto, de pintar, né, de pichar a rua, de acolher, né, refugiados e tal. Até que ponto isso, não digo a influência na sua obra, né, que me parece que ela foge um pouco, a obra dele busca mais o alegórico do popular do que propriamente um engajamento, né, como você vê na obra de Jorge Amado, por exemplo, né? Você vê esse o ideal socialismo muito presente, né? Você também sente um pouco isso, que que essa militância, ele conseguiu afastar essa militância um pouco da obra dele?

13:57 - Marcelo Bortoloti: Principalmente da pintura, né, ele transformou essa preocupação social num olhar romântico para as classes desfavorecidas do Brasil. Olhar para o subúrbio, quer dizer, para os pescadores, para os trabalhadores também, mas não um olhar dramático, né? Era um olhar mais romântico. Assim, uma marca da personalidade dele que conseguia unir, é curioso essa, é curiosa essa personalidade, né, que ao mesmo tempo você está falando um militante aguerrido, sectário, mas um boêmio também, né? Ele tinha dentro de si essas duas marcas, né, de embora parecesse ali um boêmio vagabundo, trabalhava, né? Embora parecesse um, assim, um aguerrido na causa comunista, era também um romântico, né? Então esse olhar mais romântico foi o que prevaleceu, né, e talvez aonde ele conseguiu se desenvolver melhor. Mas isso também não exclui um tipo de obra muito específica que ele fez nos anos 30, principalmente no desenho, que é uma obra mais engajada e aí você vai ver nesses desenhos os operários na porta de fábrica, as greves, né, tudo isso está ali representado assim. Mas não foi esse tipo de obra que sobressaiu na maturidade artística dele, né? Ele depois soube se afastar desse movimento, se afastou de fato, acabou se tornando até um católico praticante depois, assim numa inversão completa do credo comunista, né? Mas assim é nessa transição de extremos que ele foi construindo a sua obra.

15:39 - Maurício de Melo Júnior: Agora, você também o perfil que você traça do Di Cavalcanti também é curioso, porque você traça quase que o perfil de um homem renascentista, né? Aquele que não apenas pintava, desenhava e tal, mas que tinha uma outras preocupações estéticas, inclusive como escritor. Ele chegou a publicar dois livros de memórias, né, que seriam mais, digamos assim, veleidades sobre a sua trajetória do que propriamente a trajetória em si. E como cronista, né, como poeta, como poeta você chega até a falar um pouco que não era bem a estética dele, mas como cronista sobrevive bem as crônicas do do Di Cavalcanti? A gente poderia lê-las hoje? Como é esse escritor Di Cavalcanti?

16:34 - Marcelo Bortoloti: É interessante que ele é o único pintor assim que tinha, de fato, qualidades literárias, né? Digo o único pintor do seu grupo que que se defendia bem nas letras assim, escrevia muito bem de fato. Ele era um grande memorialista, eu acho que essas memórias assim, elas são de saborosa leituras, assim são as reflexões dele a respeito daquele período, são são interessantes e atuais, assim são textos que que continuam pertinentes no dia de hoje, no dia de hoje, né? Diferente da poesia, eu acho que na poesia ele tentou, ele não, ele fracassou na poesia. Mas assim, como cronista, e ele trabalhou muito, porque desde cedo teve que trabalhar para sobreviver, então chegou a ser cronista esportivo nos jornais, comentarista de futebol, né, imaginar um um pintor que transita também nisso porque era justamente o ganha-pão dele era a imprensa. Então ele fez tudo: de reportagem, de crônicas, de comentários de de noite até, uma coisa de colunismo social ele chegou a fazer. E desse conjunto, eu acho que essas memórias, né, elas são muito interessantes porque elas testemunham assim uma época, né, e testemunham também a elaboração intelectual do Di Cavalcanti, que não era só um pintor, era um intelectual de fato, né? Ele era um cara que pensava o Brasil, que estava preocupado com as grandes questões do Brasil, então eu acho que é interessante ver como que isso se manifesta para além da pintura também.

18:20 - Maurício de Melo Júnior: É interessante que você abre e fecha o livro com o momento de certa decadência do Di Cavalcanti, mas interessante porque é uma decadência física, não artística, e traça o perfil de um Di Cavalcanti de certa forma conformado com o seu destino, com o seu problema de saúde que se agrava e tal, mas um intelectual ainda inquieto, né, apesar do catolicismo, né? Quer dizer, como é essa figura final do Di Cavalcanti?

18:49 - Marcelo Bortoloti: Nesse momento mais para o final da vida, ele vai se pacificando de alguma maneira, como você diz. Ele vai de alguma forma cedendo, envelhecendo, cedendo a certos caprichos do mercado de arte, embora ele pertença a uma geração que que com o tempo vai ficando ultrapassada, aí vieram a pintura abstrata, né, e ele era um figurativo, então a o campo da produção artística foi avançando, a obra dele assim pertence a um momento histórico, mas a existência dele como um um ser assim eclético, boêmio, a potência de vida dele é uma expressão muito contemporânea da das nossas, da nossa arte, do nosso Brasil, né?

19:42 - Maurício de Melo Júnior: Tanto no Di quanto no Guignard, os seus textos buscam o espírito de uma época, ou pelo menos falar de uma época, o que foi isso, né? Aquela angústia de isolamento do Guignard em Minas, sofrendo um preconceito muito grande, embora com a pintura magistral e acaba também não não se valendo dessa pintura, o Di Cavalcanti também, de certa forma, já no final da vida, tudo bem, ele ele se estabelece, mas me parece que você toda toda, pelo menos nessas duas biografias que eu conheço, você procura falar de uma época onde a arte era respeitada e o artista nem tanto. Me parece muito que você faz essa análise de época. É por aí a leitura do seus textos?

20:32 - Marcelo Bortoloti: Eu acho que cada artista, mais do que, vamos dizer, a história de cada artista, mais do que representar a sua própria vida, ela ilustra o que o passado, né? Ela ajuda a compreender o passado porque os artistas estiveram envolvidos em acontecimentos históricos e tal e ambos, no caso do Guignard e do Di Cavalcanti, tiveram existências um pouco distintas, né? O Di Cavalcanti era um intelectual, o Guignard não era, o Guignard era uma figura mais humilde, mais sensível assim, né? Acabou indo para Minas, se isolou em Minas, mas era um artista extraordinário, né? E todos eles, de alguma forma, passaram por dificuldades financeiras porque estavam atuando no campo da pintura numa época em que não havia o mercado de arte como existe hoje no Brasil, né? Depois da década de 70, esse mercado, ele se consolidou. As pinturas, mais do que obra de arte, se tornaram ativos financeiros. Então a pintura passou a valer dinheiro, as pessoas passaram a comprar não porque gostavam da pintura, mas porque aquilo ele poderia vender depois por um preço maior. Então essa consolidação do mercado mudou a situação financeira dos artistas, só que antes disso todo o esforço dessas figuras era um esforço assim heroico, né? Porque tanto o Di Cavalcanti quanto o Guignard vieram de famílias que estavam em decadência nas na juventude deles e não puderam, o Guignard ainda pegou uma fase mais abastada, já que ele viveu na Europa, tinha uma herança e tal, mas quando ele chegou no Brasil chegou sem nenhum tipo de recurso tendo que viver da sua própria arte. O Di Cavalcanti da mesma forma. Então são duas figuras que não abriram mão de se tornarem aquilo que se tornaram, né? Porque acreditavam na sua arte, porque queriam continuar fazendo aquilo e se sacrificaram, sacrificaram uma parte da sua existência para conseguir realizar a obra que de fato realizaram depois de maduros, né? Então a nossa história é uma história de desvalorização dos artistas assim. É muito claro que eles sempre tiveram dificuldades financeiras e de toda a ordem assim para para sobreviver, né?

23:07 - Maurício de Melo Júnior: Marcelo, bom, depois do Guignard, depois do Di Cavalcanti, quem será o próximo, né? Como é que você está trabalhando? Já está pensando em alguma coisa? Já está pesquisando? Como é que está? Porque o seu trabalho me parece que é isso, né? Você primeiro faz uma pesquisa para depois ir buscar a confirmação da da sua apuração. Me parece que é muito por aí. Como é que está seu trabalho? Como é que está isso?

23:31 - Marcelo Bortoloti: Bom, eu agora estou fazendo uma pesquisa sobre o Vinícius de Moraes, o poeta, que é uma figura assim muito interessante também, né? Um pouco contemporâneo a esses dois, embora mais jovem, né? E atuando no campo da poesia, no campo da música, né, uma existência muito rica e estou começando a essa essa pesquisa, essa pesquisa agora, sabe? Acho que, assim, esses artistas, eles, como eu falei, eles refletem uma existência assim ou passado, uma história, né, do Brasil. Eles ilustram uma história do Brasil, né? Eles ajudam a compreender uma história cultural do Brasil, né, que que seria muito difícil de contar se a gente for só enumerando acontecimentos, né? Eu acho que assim são figuras alegóricas de uma de uma época assim, figuras de representativas de uma época como era uma época, né? Acho que é interessante a gente estar, vamos dizer, atento a essas figuras e é curioso porque são assim figuras de ponta na arte brasileira e até hoje não biografadas. Quer dizer, ou pouco biografadas, né? No caso do Vinícius já mais estudado, mas você imaginar que uma figura como o Guignard, como o Di Cavalcanti não ter uma biografia consolidada é é de muito espanto assim da nossa de um certo desinteresse, né, porque a gente vê pintores estrangeiros com várias biografias, né? É um campo ainda muito inexplorado, né, e que eu acho que é importante a gente compreender para não ficar repetindo os erros do passado.

25:32 - Maurício de Melo Júnior: Foi a partir do Vinícius que começou a se perceber a poética das letras de música, né? Ele que era formado em literatura por Oxford, né, se formou em Oxford. Poeta de verdade, né? Poeta de verdade entrando num campo que antes era um pouco desmerecido, né, da cultura, né, da música popular, que era uma coisa assim mais banal, mas enfim. Ele consegue transformar, né, esse campo num elevar para um outro patamar, assim. É interessante como é que isso vai sendo construído, vai sendo desenhado, né? Como é que isso vai ser... É isso. Marcelo, muito obrigado pela sua participação aqui no Leituras. Obrigado pela entrevista.

26:11 - Marcelo Bortoloti: Eu te agradeço, obrigado mais uma vez pelo convite.

26:22 - Anderson Mendanha: Essa foi a conversa do escritor Marcelo Bortoloti com o jornalista Maurício de Melo Júnior sobre o livro Di Cavalcanti: modernista popular. Você encontra essa biografia com facilidade nas livrarias e plataformas digitais. Eu, Anderson Mendanha, e o Autores e Livros Dose Extra vamos ficando por aqui. Obrigado pela sua companhia. Semana que vem a gente volta com mais literatura. Até lá, boa leitura.

27:00 - Locutora: Acabamos de apresentar Autores e Livros, sua revista eletrônica semanal sobre o mundo literário.