Hermes Coêlho
[00:00] Locução (Introdução): Passamos a apresentar Autores e Livros, sua revista eletrônica semanal sobre o mundo literário.
[00:15] Anderson Mendanha: Olá, pessoal. Sou Anderson Mendanha e começa agora mais um Autores e Livros Dose Extra, que toda semana traz para você um pouco do mundo da literatura. No programa de hoje, eu vou conversar com Hermes Coelho. Ele é jornalista, escritor, contista e poeta, que lançou seu segundo livro de poesias: Violado. Violado é uma jornada sensorial da infância à maturidade do autor em busca das raízes arrancadas, dos abusos e invasões impostos ao menino que se refugiava nos versos, a entrega desmedida aos excessos do desejo e da morte na vida adulta. E para me acompanhar nessa entrevista aqui com Hermes, Marlúcia Ribeiro, nossa grande colaboradora do Encantos de Versos. Marlúcia, obrigado por estar aqui comigo.
[01:05] Marlúcia Ribeiro: Eu que agradeço a oportunidade.
[01:07] Anderson Mendanha: E Hermes, seja muito bem-vindo ao Autores e Livros. Obrigado pela sua presença aqui e parabéns pelo segundo livro de poemas.
[01:14] Hermes Coelho: Eu que agradeço pelo convite. Para mim é uma honra participar do programa e conversar com pessoas que também amam a literatura como eu.
[01:26] Anderson Mendanha: Hermes, vamos começar falando de Violado e eu quero saber do título. Antes de a gente falar dessa jornada que vai da infância à maturidade, eu quero que você fale do título: por que Violado?
[01:39] Hermes Coelho: Violado. Vamos lá. Primeiro, e isso é muito interessante quando a gente pensa no título, porque ele traz duas coisas que ficam bem claras quando o leitor entra nas páginas de Violado. Violado porque o menino foi violado, né? E a primeira ideia que passa é essa. O livro nasce desse menino que foi abusado, para a gente deixar a palavra bem clara.
[02:04] Anderson Mendanha: De uma violência.
[02:06] Hermes Coelho: De uma violência que não deveria ter acontecido. E essa violência marca a infância desse menino e se reflete no homem que esse menino se torna, né? Machado de Assis fala e tem essa frase no livro: "o menino é pai do homem". O menino violado, ele se torna violão em versos futuros do livro, né? Ele aprende a se deixar dedilhar e transformar o que é trauma em poesia.
[02:29] Marlúcia Ribeiro: E a minha dúvida consiste em saber como você selecionou os poemas para esse livro, para compor o Violado?
[02:37] Hermes Coelho: Olha só, Marlúcia, eu nem estava pensando em publicar, na verdade. Porque quando você lê os 66 poemas do Violado, eles são poemas muito fortes. Eles expõem muito, né? Eles são prosaicos e crus e, às vezes, duros. Ao mesmo tempo dessa dureza vem beleza. A minha poesia ela sempre nasce de um lugar de dor. E a pandemia fez com que eu decidisse pegar esses poemas e preparar um livro. Eu tenho um livro de contos praticamente pronto para publicar e o Violado. E aí aconteceu de... eu sempre disse isso, porque no Brasil, e vocês escrevem, vocês sabem como é difícil publicar, normalmente as pessoas pagam para publicar. E eu dizia: "eu não quero pagar para publicar poesia no Brasil, é inaceitável. Eu acho desrespeitoso até". E a editora Patuá, que é uma editora independente das mais sérias que a gente tem no país, abriu uma seleção. Eu falei: "ah, quer saber? Esse livro eu preparei durante a pandemia, os poemas já vinham sendo preparados nas últimas décadas, vamos falar a verdade, que eles são poemas que vêm desde pelo menos desde o fim dos anos 2000 e chegando até agora, 2022". E aí quando eles abriram a seleção eu falei: "por que não?". Aí coloquei lá, meio que naquela coisa: "ah, se der certo, ótimo. Se não der certo, tudo bem também. Um dia eu vou publicar". E recebi a resposta do Eduardo Lacerda, né, o editor da Editora Patuá, e ele disse: "olha, gostei muito, a gente quer publicar seu livro". E a ideia dele, que foi o que me trouxe ainda mais alegria, foi: "você vai lançar seu livro na cidade que você mora e, se você quiser, você lança na Flip, né, na Festa Literária Internacional de Paraty". E para mim foi um presente. Eu fiquei muito feliz. Eu confesso que 2023 acabou sendo um ano de celebração da poesia para mim e acho que dessa transformação que o Violado mostra, entendeu? Dessa celebração. Eu acho que esse livro precisava nascer naquele momento até para eu sepultar esses traumas, né? O violado ficar só realmente o violão.
[04:56] Anderson Mendanha: Eu quero continuar falando de Violado, só que antes eu quero recuperar uma frase que você acabou de dizer: "a minha poesia nasce da dor". Né? Então eu quero falar um pouquinho da sua poesia. A gente sabe, né Marlúcia, que muitos poetas precisam das emoções para escrever bem. Uns escrevem sobre a alegria, outros escrevem sobre o amor. Podem até variar de temas, mas aquilo ali está presente. E aí você fala para mim: esse é o seu segundo livro de poemas. Você selecionou vários poemas para entrar aqui, imagino que outros continuam guardados lá na gaveta. Fala um pouquinho dessa necessidade da dor para poder escrever poesia.
[05:37] Hermes Coelho: Eu vou confessar para vocês, eu escrevo quase todo dia. Porque eu fico reescrevendo, reescrevendo, reescrevendo. Então a inspiração ela surge num lampejo e depois eu fico reescrevendo, reescrevendo, reescrevendo. De onde vem esse lugar? Eu já escrevia desde criança. A minha lembrança era... eu fui alfabetizado antes de entrar na escola porque eu tive mãe professora e irmãos bem mais velhos que me estimularam. Então eu ia para o trabalho da minha mãe professora e ficava datilografando. Eu sou um homem de mais de 40 anos, né, tenho 46 anos, então eu conheci a máquina datilográfica mesmo e ficava escrevendo parágrafos. Naquele momento o trauma não tinha acontecido ainda, mas já existia um lugar de afeto com as palavras ali. O trauma fez com que esse lugar, ele fosse imaculado e aí, dessa angústia, surgessem os versos. E não se engane, até hoje... hoje eu estava fazendo um poema. Surgiu, ele começou a nascer, ele não está pronto. Talvez demore meses, às vezes anos, mas ele começou a nascer e ele vem de um lugar de dor. Um espaço íntimo que só eu tenho acesso e que é de onde os versos saem. A minha prosa não. Se eu estou fazendo prosa é bem mais racional, é bem mais tranquilo e eu tenho mais controle. A poesia, quando ela nasce, ela me controla primeiro, para depois eu tentar lapidar. E é sempre de um lugar de dor. A poesia é minha melhor terapia. Isso não quer dizer que eu não tenha feito terapia com profissionais, óbvio, e acho importante se você que está ouvindo essa entrevista sente necessidade, por favor, procure. É fantástico, já fiz e recomendo. Mas a minha melhor terapia, ela ocorre por meio da poesia.
[07:18] Anderson Mendanha: E como é que foi tirar coragem para revelar esses poemas para o mundo, para colocá-los não só no papel, mas para imprimi-los e distribuí-los e aí cai na mão de todo mundo, todo mundo vai ter acesso a esses seus pensamentos, à sua intimidade, a esses momentos de dor?
[07:37] Hermes Coelho: O que mais mexe comigo nesse sentido, Anderson, é imaginar como a minha família reage quando lê alguns versos de Violado. Porque às vezes a pessoa sabe da história por alto, mas não sabe como aquilo te marcou. E o objetivo em nenhum momento é machucar ninguém. Na verdade, o objetivo é transformar... transformar algo doloroso em beleza. E não tem... desculpa dizer, mas não tem nada mais belo do que poesia. Nada, nada. Talvez, talvez uma obra de arte, uma pintura magnífica, inovadora possa provocar em mim o que a poesia provoca. Mas a poesia... a poesia ela tem tantos significados, ela é tão rica, ela é plena. Eu acho que é a melhor palavra para definir a poesia. Então assim, é uma experiência única. Eu gostaria que a gente conseguisse levar mais poesia para as pessoas. Não estou dizendo que tem que ser a minha poesia não, mais poesia.
[08:46] Marlúcia Ribeiro: Concordo com você, a poesia transcende, extravasa, ultrapassa qualquer limite, atinge todos os públicos, te atinge tão profundamente e se torna algo inesquecível e precioso.
[08:58] Hermes Coelho: É, Marlúcia, eu acho que a poesia me salvou. Eu acho que a poesia me salvou. E até hoje eu dependo dessa boia. E sou feliz em estar nessa boia no oceano pacífico.
[09:14] Marlúcia Ribeiro: Parabéns. Eu sei que é difícil o autor que se apega obviamente às suas obras, em especial aí a poesia, destacar, de repente um dentre seus filhos, porque você acaba sendo pai desses versos que você gerou. Mas se você tivesse que indicar um poema dentro do Violado, qual você indicaria e por quê?
[09:37] Hermes Coelho: Um poema. Eu indicaria, olha, eu indicaria o primeiro poema, porque ele explica exatamente a minha relação com a poesia. Se quiser eu posso declamar. Eu sou péssimo para fazer isso.
[09:52] Anderson Mendanha: Não, por favor.
[09:53] Marlúcia Ribeiro: Fique à vontade.
[09:54] Anderson Mendanha: Declame para a gente.
[09:58] Hermes Coelho: E ele é curtinho como quase todos. "Disse-me a vida, esfinge inescapável de todos os homens: escreve-me ou devoro-te". É isso aqui que determina a minha poesia. É isso aqui que determina o que eu escrevo, até a prosa também. A poesia não é uma escolha, nunca foi, nunca vai ser. E eu sou feliz em ser escravo dela.
[10:23] Marlúcia Ribeiro: Então como você definiria o poeta? O que é o poeta para você? Porque o lírico em Fernando Pessoa disse que o poeta é um fingidor. Manuel de Barros dizia que era o colecionador de desperdícios. Para você, quem é o poeta?
[10:37] Hermes Coelho: O poeta é o sublimador. É o que se transforma e o que ao mesmo tempo permite ser matéria em transformação. Quando você pensa em Violado, nesse livro, que ele na verdade é um complemento do primeiro, mas mais maduro... o Nu, que é o primeiro livro e foi publicado em 2002, ele tinha essa temática, mas o Nu escondia o que o Violado expõe. Eu vejo muito esse livro como a transformação, como a crisálida que vira borboleta e que aprende a voar e que ninguém segura mais. Então o poeta é alguém em constante transformação. Pode fingir, Pessoa maravilhosão, e pode fingir que está falando de bobagens, mas não são bobagens, não são bobagens. A poesia é vida. Todos nós temos poesia dentro da gente, todos nós temos poesia dentro da gente. Nem todo mundo consegue fazer verso e está tudo bem, está tudo bem. Mas a gente não pode prescindir da poesia nas nossas vidas.
[11:41] Anderson Mendanha: Você falou aí que Nu é um livro que você escondeu mais e Violado você mostrou mais. Apesar que "nu" é uma palavra que tira tudo, que tira a roupa, que tira as aparências e tudo mais. Vamos voltar então um pouquinho para Nu. Que paradoxo é esse? O nu que se esconde... o poeta não é um fingidor?
[12:03] Hermes Coelho: Você vê, o Nu, ele foi escrito pelo menino que eu era com 15 anos. E ali tem poemas dos 15 aos 20 anos. E foi um concurso da prefeitura de Teresina, era a Fundação Cultural Monsenhor Chaves, que é equivalente à Secretaria de Cultura do município de Teresina, né, capital do Piauí, para ficar mais claro para quem está em casa. Eu participei desse concurso e o prêmio era, se eu fosse o primeiro colocado, publicar o livro. Vamos tentar. Arrisquei. Naquele momento eu era um menino. Eu ainda nem sabia direito o homem que eu seria. Então eram os poemas daquele momento. O Violado não. O Violado são os poemas de maturidade e o Violado precisa chegar para complementar o Nu, exatamente para que o Nu tenha sentido e para que o Nu se ressignifique. Eu não desmereço o Nu, tem poemas que eu gosto muito lá, mas o Hermes de verdade é o Hermes que eu sou hoje. E daqui a dez anos eu já vou ser outro Hermes.
[13:14] Anderson Mendanha: Era o que eu ia perguntar: o que será que o Hermes de 60 anos estaria falando para você agora, né?
[13:22] Hermes Coelho: Ele vai dizer que o verdadeiro nu está em Violado. Mas ele ao mesmo tempo vai estar tentando escrever... porque esse é o meu desafio, é não ser formulaico. O Violado precisava ser escrito. E foi. Eu não quero escrever um novo Violado. Eu quero escrever outras coisas.
[13:42] Anderson Mendanha: Nós três aqui já passamos, já estamos nos "entas", né? 40, 50. Então nós já temos essa maturidade, essa experiência. Apesar de não sei para vocês dois, às vezes na nossa alma a gente ainda se imagina como alguém de 30, de 20 anos, né? Só quando o joelho dói ou as costas pesam que a gente repara que na verdade a gente não tem mais 20, 30 anos. Verdade. Você fala que Nu é o livro do garoto, do rapaz. Violado é o livro do maduro, do Hermes do agora. E você fala que a sua poesia nasce da dor. Nessa trajetória que a gente falou lá na abertura, que está na sinopse do livro, para você, Hermes, como foi essa jornada que vai do Nu ao Violado? Claro que você fala que nasce da dor, mas tem outras coisas aí no meio também, né?
[14:40] Hermes Coelho: Tem muita coisa. Alguns elementos que são muito importantes. A questão da religião é muito marcante no Nu, mais até do que em Violado, porque se você parar, eu sou a antítese do que se esperava de mim. Então a minha família é toda batista, bem conservadora. São pessoas maravilhosas. Eu sou uma pessoa diferente da minha família. Então a religião no Nu, ela era muito marcante porque eu ainda era o menino que estava dentro da igreja. Essa relação com Deus. Elementos de mitologia, não adianta, sempre me marcam muito, muito. O fascínio pela cultura como um todo. Hoje eu estava escrevendo um poema sobre traboules de Lyon. Traboules de Lyon, para você que está em casa, são umas passagens secretas que tem na cidade antiga de Lyon. Lyon é uma cidade no interior da França que é a capital gastronômica da França. Cidade linda, pequena, uma graça de cidade. Só que quando eu falo do traboule de Lyon, eu não estou falando só do traboule de Lyon, eu estou falando do meu traboule de Lyon e das passagens secretas que existem dentro de mim. Mas a inspiração vem... vem da religião, vem das viagens, vem da cultura, vem daqui e agora. Isso aqui agora vira poesia para mim. Ao contrário do que vocês pensam, vou chegar na minha casa depois eu vou ficar pensando no que a gente conversou e às vezes uma frase que o Anderson disse ou que a Marlúcia disse vai martelar na minha cabeça, vai se apropriar de mim e depois sai alguma coisa disso. É sempre assim, Anderson, é uma amálgama mesmo do estímulo externo com o que tem dentro, com aquele lugar de dor. Aquele lugar de dor ele precisa ser sempre mexido. Sempre.
[16:16] Marlúcia Ribeiro: Você falou ainda há pouco e um pouco antes também sobre o seu processo de criação e também disse que Violado, ele é formado por poemas pequenos, de poucos versos. Isso é intencional ou isso é inevitável, o fato de eles serem formados por poemas pequenos?
[16:34] Hermes Coelho: Boa pergunta. Eu acho que é inevitável. Eu sou muito editado. Eu sou muito editado. Eu acho que menos é mais. Então se eu puder espremer poesia, se eu puder espremer uma emoção menos, com mais concisão, se eu conseguir tocar com menos, eu vou estar sendo mais eficiente no meu fazer poético. De onde vem isso? Eu acho que eu fui treinado inconscientemente assim. Eu tive uma professora que foi uma mulher que me marcou muito, Sueli Rodrigues. Faleceu recentemente, faleceu muito nova. Essa mulher ela... eu era um moleque de classe média e essa mulher ela me emprestava as coleções maravilhosas que ela tinha. Naquele tempo a gente não tinha internet para ter acesso a tudo, então ela tinha coleções completas de Machado de Assis, Clarice Lispector e eu ia lendo aquilo. E quando eu escrevia, ela ia dizendo: "corta, corta, corta". Aí fui trabalhar em TV. TV mais ainda. E aí eu percebi isso: que é importante causar o maior efeito possível, mas com o mínimo possível de versos, se possível. Essa fórmula funciona para todo mundo? Claro que não. Claro que não. Pelo amor de Deus, não. Que bom que não é assim para todo mundo. Mas para mim, sim.
[17:59] Marlúcia Ribeiro: Eu vou tomar a liberdade, Hermes, de destacar um dos poemas do seu livro. Claro, sem dar spoiler demais, obviamente, leiam Violado, livro maravilhoso. Mas o poema diz o seguinte: "de tanto ouvir que ficar nu era pecado, o menino vestido foi violado". O que eu queria dizer para você do ponto de vista feminino é que acontece isso demais com as mulheres. Você não precisa estar desnuda para se sentir violada. Pelo contrário, muitas vezes um olhar enviesado, cheio de maldade mesmo, te desnuda tão completamente e você se sente tão nada, embora você esteja vestida. Então, é óbvio que eu preciso parabenizá-lo por essa capacidade de ser tão sintético e ao mesmo tempo profundo. Porque nesse poema com poucos versos, você definiu uma situação que aconteceu aqui no caso com o menino, mas que acontece diariamente com todas nós mulheres, infelizmente.
[19:04] Hermes Coelho: Marlúcia, você falou uma coisa que é linda, que sempre me toca muito: o Violado toca muito mais as mulheres do que os homens. Quase toda leitora que vem conversar comigo por mensagem ou que me conhece como você diz: "eu me vi em muitos versos do teu livro". E eu me sinto lisonjeado em ouvir isso. Porque a sensibilidade feminina é sublime e ela não é fácil de ser alcançada. Eu fico muito, muito, muito, muito feliz. De verdade.
[19:35] Marlúcia Ribeiro: Também me senti muito representada aqui no livro. Parabéns.
[19:37] Anderson Mendanha: Você pensa em alguém na hora de escrever, mesmo que seja ideal assim, alguém imaginário? Mas você tem um ponto quando escreve? Por exemplo, você falou aí que as mulheres estão mais próximas da sua poesia do que os homens. Existe essa pessoa? Existe esse ser?
[19:56] Hermes Coelho: Não, mas existe a inspiração que eu deixo me tomar e aí a partir dela eu vou construindo, como eu falei aqui dos traboules de Lyon. Traboules de Lyon, o que é isso? Aí vem, eu me deixo levar por isso e vou construindo algo que se apropria de mim por um instante. Eu não consigo não me relacionar com a poesia, então eu preciso me relacionar com ela. Então todos esses elementos... uma pessoa perguntou: "ah, você viveu tudo o que está no livro?". Eu falei: "pode ter certeza que de um jeito ou de outro sim". Porque às vezes uma história que o Anderson conversou comigo mexeu de tal maneira que eu me aproprio dela ou na verdade ela se apropria de mim e vira poesia. Então é sempre assim, Anderson, é uma amálgama mesmo do estímulo externo com o que tem dentro, com aquele lugar de dor. Aquele lugar de dor ele precisa ser sempre mexido. Sempre.
[20:53] Anderson Mendanha: Você lançou o livro em Brasília, você lançou o livro na Flip... nós estamos aqui em 30 de janeiro, né? E você vai lançar esse livro também na sua cidade natal, Teresina, aqui no Carnaval. Desses lançamentos, eu sei que são pessoas diferentes, mexeram com você... como é que foi a emoção de lançar em Brasília e você já deu uma palhinha de como é que foi estar na Flip, o grande festival literário do Brasil?
[21:21] Hermes Coelho: Olha, participar da Flip foi muito especial, claro. Mas em termos emocionais não tem como, é Brasília e Teresina. E as duas cidades estão no livro. São presentes muito presentes. Para mim, quero voltar todo ano na Flip, quero lançar mais livros na Flip, claro, mas não tem preço a gente estar na terra da gente, na terra que a gente nasceu, na terra que nos acolheu. Não tem... é uma sensação de muita emoção assim, sabe? Em Brasília já aconteceu e assim, em vários momentos eu me emocionei de encontrar gente que eu sequer imaginaria que ia estar ali presente.
[22:04] Anderson Mendanha: Aí vem o gancho, né? A gente levanta a bola para cortar. Se Brasília já foi emocionante, o que que você espera do lançamento de Teresina, onde você vai encontrar não só os amigos, mas também família e aqueles conhecidos que foram amigos do passado, que também devem estar presentes? Está preparado para isso?
[22:24] Hermes Coelho: Olha, meu coração... eu tenho um bom cardiologista, mas eu te digo, Anderson, eu não tenho medo de me emocionar. Não tenho medo de me emocionar, eu não tenho medo de me entregar, até porque a poesia nasce disso. A gente precisa se permitir exacerbar o que tem dentro. Preparado a gente nunca está, mas eu estou disposto.
[22:51] Anderson Mendanha: Para quem está acompanhando a gente aqui no Autores e Livros, se interessou por Violado, ele está disponível no site da Patuá, né? Mas onde mais a gente pode encontrar o livro e como é que os nossos ouvintes podem te encontrar também?
[23:05] Hermes Coelho: Olha só, boa pergunta. A Patuá ela não funciona como uma editora tradicional. Então os livros dela você não encontra nas livrarias. Para encontrar, realmente você tem que entrar ou no site da Patuá, né, que é editorapatua.com.br. Aí só botar na busca "Violado" vai aparecer. Tem muito livro bom lá, muitos autores premiados, eu recomendo. Compro o Violado, mas conheçam também os demais autores, vale a pena. Eu tenho alguns exemplares comigo ainda por causa da... do lançamento em Teresina. Então eu tenho umas dezenas de exemplares. Eu estou vendendo, né, para quem quiser, tiver ouvindo, quiser falar comigo, eu estou em Brasília. Você me encontra, rede social mais fácil de me encontrar é no Instagram, @hermescoelho, Hermes com H, né, o nome grego. E em Teresina eu vou lançar no dia 15 de fevereiro lá no Café Viena. Já está tudo certinho às sete da noite. É a quinta-feira depois do Carnaval. Se por acaso esgotar eu peço mais livros porque o autor quer ser lido, né? Então quanto mais gente puder adquirir eu fico mais feliz ainda. Soube que está bem vendido, né? Eu nem fazia ideia. Fico feliz em saber disso, porque o que a gente quer é ser lido. E a partir do momento que você compra o livro, esses poemas não são mais meus. São seus. E você se apropria deles. E é exatamente isso que eu quero.
[24:35] Anderson Mendanha: Para a gente encerrar, Marlúcia, quais as suas palavras finais? Qual a sua pergunta final para o Hermes?
[24:40] Marlúcia Ribeiro: Bem, não é bem uma pergunta, eu só gostaria de externar o meu desejo, já a minha avidez de conhecer o próximo livro.
[24:49] Hermes Coelho: Ah, se prepare que está chegando muito em breve porque assim, essa experiência trouxe de volta a alegria de produzir com... é muito engraçado isso, né? A gente... a gente vai escrevendo e vai guardando. E aí quando sai um livro a gente fala: "vou organizar o material que eu tenho aqui porque tem coisa que pode ser que renda". Então vai ser... vai ser uma honra ser lido por você. Uma poeta maravilhosa também.
[25:19] Anderson Mendanha: Hermes, como eu sempre faço no encerramento do Autores e Livros, eu encerro com um convite. E não é um chavão não, tá? É para valer. Você tem um livro de contos pronto? Tem mais poemas na gaveta? Tão logo logo a gente deve ter mais algum livro por aí. Então fica o convite: tem novidade? Volta. Vamos continuar batendo um papo aqui.
[25:41] Hermes Coelho: Vai ser uma honra.
[25:43] Anderson Mendanha: Hermes, obrigado pela sua presença. Obrigado também a Marlúcia. E obrigado a você também que nos acompanhou aqui no Autores e Livros Dose Extra, que vai ficando por aqui. A gente volta semana que vem com mais literatura, mais livros, mais autores. Obrigado sempre, um grande abraço e até lá. Boa leitura.
[26:02] Locução (Encerramento): Acabamos de apresentar Autores e Livros, sua revista eletrônica sobre o mundo literário.