Valor Econômico, v. 23. n. 5686, 8/02/2023, Finanças, C1
Autonomia do BC desconecta ciclo monetário do político, diz Campos Neto, após críticas de Lula
Matheus Schuch e Larissa Garcia, Valor
Após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à autonomia do Banco Central (BC) e ao nível elevado de juros, o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, defendeu nesta manhã que a independência formal "desconecta" o ciclo monetário do ciclo político e falou em aumento de "eficiência" e "custo-benefício".
“[A autonomia do BC] É importante por muitos motivos diferentes. O principal é que a autonomia desconecta o ciclo de política monetária do ciclo político, porque temos diferentes lentes e interesses. Quanto mais independente você é, mais efetivo você é e menos o país vai pagar em termos de custo-benefício para a política monetária", disse durante o “2023 Milken South Florida Dialogues”, em Miami (EUA).
Campos citou seu antecessor, Ilan Goldfajn, que estava presente no evento, e elogiou seu trabalho na agenda de inovação do sistema financeiro. "Um problema que nós temos é sempre criticar o legado. Precisamos entender que precisamos olhar o que pode ser melhorado”, pontuou.
O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Pedro Barroso do Nascimento, destacou, durante o evento, que a autarquia ganhou autonomia antes do BC, em 2002, mas lamentou que não tenha independência financeira.
Sobre a agenda de sustentabilidade, Campos reforçou a necessidade de construir uma taxonomia, que é a padronização da classificação de ativos "verdes". “Temos que criar um instrumento para que todos participem”, ponderou.