O Globo, n 32.371, 24/03/2022. Economia, p. 14

Dólar tem nova queda, de 1,4%, e vai a R$ 4,8438

Vitor da Costa e Letycia Cardoso


Fluxo de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira continua forte, com saldo positivo de R$ 81 bilhões este ano. Ibovespa, principal índice da BS, registra alta de 0,16%, aos 117.457 pontos, descolado dos mercados externos


O dólar comercial teve ontem mais um dia de queda: encerrou cotado a R$ 4,8438, recuo de 1,43%, após atingir a mínima de R$ 4,8337. É o menor valor de fechamento desde 13 de março de 2020, quando registrou R$ 4,8127. No ano, a divisa já acumula desvalorização de 13,11% e apresenta seis pregões consecutivos de baixa.

Já o Ibovespa subiu 0,16%, aos 117.457 pontos, na contramão do exterior. No ano, o principal índice da B3 tem alta de 12,05%.

Em Nova York, o índice Dow Jones cedeu 1,29%, e o S&P 500, 1,23%. A Nasdaq caiu 1,32%.

O estrategista-chefe da Davos Investimentos, Mauro Morelli, aponta os preços ainda elevados das commodities como o principal fator para o descolamento dos ativos brasileiros em relação ao exterior.

— Isso tem relação com essa realocação mundial, com os investidores buscando investimento, principalmente, em países produtores de commodities e que se beneficiam deste momento que estamos vivendo.

O sócio e economista-chefe do Modalmais, Felipe Sichel, também avalia que o avanço significativo das principais commodities a nível global, como petróleo e alimentos, tem efeitos positivos 13,11% de queda

É a desvalorização acumulada pelo dólar comercial este ano na economia brasileira:

—O índice CRB, que mede as commodities, está se valorizando 7,86% no ano em dólar. Se olharmos dentro de produtos alimentícios, vamos ver uma valorização de quase 13% no ano. Isso acaba tendo impacto tanto na nossa Bolsa, quanto no dólar, pelo perfil exportador do Brasil.

Ontem, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Petrobras subiram 0,97%, e as preferenciais (PN, sem voto), 1,36%. Os papéis seguiram a valorização do petróleo no exterior.

O barril do óleo tipo Brent subiu 5,3%, a US$ 121,60, enquanto o do WTI avançou 5,2%, a US$ 114,93.

JUROS ATRAENTES

O real vem sendo beneficiado por um conjunto de fatores desde o início do ano, como a forte entrada de fluxo estrangeiro, a alta das commodities importantes e o diferencial de juros entre a nossa economia e as demais.

Até o dia 21 deste mês, o fluxo estrangeiro no segmento secundário da B3, era positivo em R$ 81 bilhões. Com maior oferta de dólares no mercado interno, a cotação diminui.

Além da forte presença de empresas ligadas a commodities na B3, o Brasil se mostra como um destino mais atraente em relação a outros mercados emergentes.

—O Brasil está com juro real mais atraente que o bloco dos grandes bancos centrais. Na Europa e nos EUA, a inflação está a 8%, e os juros reais estão negativos. Eles estão muito atrasados no ciclo—disse Alex Lima, estrategista-chefe da Guide Investimentos.