O Globo, n 32.373, 26/03/2022. Política, p. 06

Confiança nas urnas eletrônicas cresce e chega a 82%

Lucas Mathias e Jan Niklas


Mesmo com o presidente colocando em dúvida a segurança do processo eleitoral, índice aumenta 13 pontos percentuais

Após uma série de ataques do presidente Jair Bolsonaro e aliados à segurança do processo eleitoral, a confiança da população nas urnas eletrônicas cresceu, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem. De acordo com o instituto, 82% dos brasileiros confiam no equipamento, enquanto 17% afirmam não confiar. As informações foram publicadas pelo jornal “Folha de S. Paulo”.

Na comparação com os números do levantamento anterior sobre o assunto, feito em dezembro de 2020, o crescimento no índice de confiança é de 13 pontos percentuais — na ocasião, 69% diziam confiar nas urnas eletrônicas. Os que não confiavam, à época, eram 29%, 12 pontos a mais do que hoje. Naquele ano, a pesquisa foi feita após as eleições municipais, que ocorreram em novembro. Dentro do grupo que diz ter confiança nas urnas eletrônicas, 47% dizem confiar muito, enquanto 35% afirmam confiar um pouco. 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reiteradamente, reforçou que as urnas eletrônicas são seguras, auditáveis e que não há possibilidade de fraudes. Ao todo, 77% dos brasileiros defenderam a continuidade da votação por meio eletrônico, enquanto 20% defenderam a volta das cédulas de papel. O paralelo com o levantamento do fim de 2020 reforça o aumento da confiança no sistema atual: 73%, na época, preferiam continuar com as urnas eletrônicas, enquanto 23% defendiam a volta ao voto em papel.

ANÁLISE DE DECLARAÇÕES

Além do cenário geral, a pesquisa segmentou a taxa de confiança somente entre os eleitores de Bolsonaro dentro desse grupo, 70% dizem confiar no modelo atual. A defesa da volta do voto em papel, no entanto, chega a 40% entre os eleitores do presidente. 

A pesquisa também apresentou números sobre a percepção em relação às declarações de Bolsonaro. De acordo com o instituto, houve redução na quantidade de brasileiros que dizem não acreditar no que o presidente fala. Em dezembro do ano passado, 60% diziam “nunca confiar”, enquanto no levantamento divulgado ontem, o índice foi de 53%, queda de sete pontos.

Os que dizem crer no chefe do Executivo “só às vezes” são 29%, e antes eram 26%.

Somando aqueles que desconfiam totalmente ou de forma parcial de Bolsonaro, o índice chega a 82%.

Já o percentual dos que responderam confiar sempre no que o presidente fala é de 17% atualmente, frente a 13% na sondagem anterior.

No recorte por ocupação, a maioria dos que confiam sempre no mandatário são os empresários (33%). Na sequência, estão aposentados (26%), funcionários públicos (23%), assalariados (18%), desempregados (10%) e, por último, estudantes (4%).

Base eleitoral importante para Bolsonaro, os evangélicos mostraram que, em sua maioria, desconfiam do presidente: 40% responderam que nunca confiam nele, enquanto 25% fazem isso sempre, e 34% creem às vezes.