Valor Econômico, v. 23. n. 5691, 15/02/2023, Política, A9
‘Não haverá retrocesso’ em relação ao BC, diz Pacheco
Caetano Tonet


O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que não haverá retrocesso em relação a autonomia do Banco Central (BC). O parlamentar disse que a independência da autarquia está entre os "bons exemplos a serem mantidos" e reforçou que não foi procurado pelo governo para falar de mudança na legislação e de uma possível exoneração do presidente do BC, Roberto Campos Neto, que vem sendo criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados. As falas do presidente do Congresso aconteceram em um evento promovido pelo BTG Pactual. 

"A autonomia do BC vai ao encontro da modernidade. Todo mundo quer baixar a taxa de juros. Não se faz com uma canetada no meio do caminho. É com diálogo, capacidade de ceder", afirmou Pacheco, destacando que para reduzir os juros, a revisão da meta de inflação pode até prejudicar, mas que a decisão é do Conselho Monetário Nacional (CMN) e não do BC. 

O parlamentar elogiou a postura de Campos Neto ao fazer acenos ao governo Lula. "Meu aplauso a a essa postura do presidente Campos Neto. Isso contribui muito para um alinhamento.", disse o presidente do Congresso. Para Pacheco, a pauta econômica é convergente, com reforma tributária e novo marco fiscal de interesse de todos os campos políticos, mas que estão acontecendo alguns ruídos desnecessários. 

Ele destacou a necessidade de uma arrecadação "inteligente e sustentável", redução de gastos e uma novo marco fiscal como prioridades no país. Pacheco destacou o gesto de Haddad em reconhecer os dois projetos de reforma tributária no Congresso (PEC 45 na Câmara e 110 no Senado) e afirmou que a unificação do imposto é unânime. "Impostos único é a essência das propostas de reforma no Congresso", afirmou Pacheco. Com relação ao novo arcabouço fiscal, Pacheco lembrou que a medida foi uma condição do parlamento para aprovar a PEC de transição.