O Globo, n 32.376, 29/03/2022. Política, p. 06

Com dores abdominais, Bolsonaro passa por exames

Jussara Soares e Alice Cravo


Presidente foi levado para o hospital após se sentir mal na noite de ontem

O presidente Jair Bolsonaro foi levado ao Hospital das Forças Armadas (HFA) em Brasília para fazer exames após se sentir mal na noite de ontem, segundo informaram auxiliares do Palácio do Planalto. Bolsonaro teria apresentado dores abdominais e refluxo, como já ocorreu em outras ocasiões.

Por causa do mal-estar, o presidente faltou ao evento de filiação dos ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) ao Republicanos.

A informação de que Bolsonaro estava fazendo exames foi dada pelo presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), na cerimônia que teve a presença da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Por volta das 22h30, ela chegou ao HFA para visitar o presidente.

— Só soube que o presidente Bolsonaro está fazendo exames com os médicos da Presidência. Ela (Michelle) estava até preocupada querendo ir logo (embora). Falaram que tava com refluxo e tudo no estômago — disse Marcos Pereira na saída do evento.

Ao deixar o local onde ocorreu a filiação, Michelle não respondeu se Bolsonaro estava no hospital e disse apenas que “ele está bem, graças a Deus”.

Em janeiro deste ano Bolsonaro foi internado por causa de uma obstrução intestinal. Uma cirurgia chegou a ser cogitada, mas foi descartada pelos médicos do presidente.

O presidente já passou por seis cirurgias desde que levou uma facada, em setembro de 2018, durante a campanha eleitoral, embora nem todas tenham sido devido ao ataque sofrido pelo então candidato.

A primeira delas ocorreu logo depois da facada, ainda em Juiz de Fora (MG), onde foi atacado. Levado às pressas à Santa Casa de Misericórdia da cidade, um ultrassom indicou a necessidade de uma cirurgia de emergência.

Dois dias após o primeiro procedimento, o então candidato foi levado para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e foi submetido a uma segunda cirurgia, quando foi feito um procedimento de desobstrução que retirou aderências de seu intestino delgado.

Após a posse, em janeiro de 2019, o presidente realizou o terceiro procedimento para retirar a bolsa de colostomia colocada após a facada. Ele utilizava o acessório desde o atentado e precisou ficar 18 dias internado em São Paulo.

CORREÇÃO DE HÉRNIA

Em setembro do mesmo ano, fez a quarta operação, desta vez para corrigir uma hérnia causada por uma das operações anteriores, uma consequência comum em operações no intestino.

Em janeiro de 2020, o presidente foi internado para a realização de exames e fez também uma vasectomia, cirurgia para homens que não desejam termais filhos. Essa cirurgia— a quinta realizada após o atentado de 2018 —não foi confirmada oficialmente pelo Palácio do Planalto.

Em setembro de 2020, o presidente também retirou um cálculo renal através de uma cistolitotripsia endoscópica, procedimento pouco invasivo. Esta foi a sexta e última cirurgia desde então.

Em julho do ano passado, o presidente voltou a ser internado por quatro dias após intensa crise de soluços. Bolsonaro demonstrou incômodo quando, em sua tradicional conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, disse que estava falando pouco por ter feito dois implantes dentários no sábado anterior.

Dias depois, durante uma entrevista, o presidente explicou que estava com soluço e afirmou que acreditava que a causa eram remédios. Ele chegou a ser internado em Brasília após sentir dores abdominais e depois foi transferido para São Paulo. Uma cirurgia chegou a ser cogitada, mas logo depois foi descartada.