Valor Econômico, v. 23. n. 5693, 17/02/2023, Política, A10
Campos Neto deve ir ao Senado em março
Vandson Lima e Caetano Tonet


Presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto jantou na quarta-feira com o futuro presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO). Cardoso disse que Campos Neto se comprometeu a ir à CAE em março para debater a questão dos juros e falar sobre as perspectivas para o país este ano. Já o senador garantiu à autoridade monetária que a hostilidade de alas do PT a ele não se reflete no Senado, onde o clima é bem mais ameno e, garantiu, a possibilidade de se discutir uma mudança na lei que garante autonomia ao BC não teria adesão nem dos petistas neste momento. 

“Ele está muito tranquilo. Disse que houve muita pressão, mas que ele quer buscar o diálogo com o governo” relatou Vanderlan Cardoso. “Ele disse que está à disposição dos senadores, vai à CAE em março e voltará quantas vezes for preciso.” 

Segundo o relato, Campos Neto disse ao senador que acredita na melhora do quadro e que, não fosse o clima de embate gerado pelas críticas públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados governistas à política monetária adotada pelo Banco Central, questionado a atual taxa básica de juros (a Selic), mantida em 13,75% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), possivelmente o dólar estaria mais baixo, próximo de R$ 5 - a cotação da moeda americana hoje está em R$ 5,25. 

“Ele acha que a inflação vai baixar, o dólar também. Inclusive, disse que se não tivesse esse enfrentamento, o dólar já estaria mais baixo, na casa dos R$ 5.” 

Por fim, Campos Neto foi político e fez elogios à atuação dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), com quem realizou nessa quinta-feira a primeira reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). “Ele está muito satisfeito com Haddad”, garantiu o presidente da CAE. O presidente do BC, contudo, não fez comentários sobre o que esperava do encontro. O jantar de Vanderlan Cardoso e Campos Neto aconteceu em um restaurante em Brasília. A conta, segundo o senador, foi dividida igualmente. Procurado, o Banco Central informou que não iria comentar.