O Globo, n 32.378, 31/03/2022. Economia, p. 16

BTG acerta compra do controle do Banco Econômico

João Sorima Neto


Instituição sofreu intervenção do BC em 1995 e estava em liquidação extrajudicial. Foco do negócio é recuperação de carteira de crédito

O banco BTG anunciou ontem compromisso para a aquisição do Banco Econômico e suas subsidiárias, que estão em liquidação extrajudicial. O valor da transação não foi divulgado. As ações do BTG (units) recuaram 2,98% na B3. O negócio foi adiantado pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o BTG informou que a operação faz parte da estratégia de investimentos da área de Special Situations (situações especiais) do banco.

O foco desse segmento é a aquisição e recuperação de carteiras de créditos inadimplentes e compra de ativos financeiros alternativos. Segundo o BTG, essa área acumula experiência em recuperação de instituições financeiras em regime especial.

A conclusão e o fechamento da operação dependem da verificação de determinadas condições, entre elas a interrupção do regime de liquidação extrajudicial, que será possibilitada pela liquidação ou saneamento de seus passivos financeiros. A operação dependerá da obtenção das aprovações regulatórias necessárias, entre as quais do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O controle do Econômico está nas mãos de três empresas: IEP Itapiracem Empreendimentos e Participações, Vitória Empreendimentos e Serviços e Aratu Empreendimentos e Corretagem de Serviços. As três empresas se comprometeram a vendê-lo ao BTG Pactual.

FUNDADO EM 1834

O Banco Econômico sofreu intervenção do Banco Central em 1995. Com sede na cidade de Salvador, na Bahia, o banco, fundado em 1834, era a instituição financeira privada mais antiga do Brasil quando sofreu a intervenção.

O Banco Econômico foi um dos que quebraram após a implantação do Plano Real, em 1994. Com a estabilização da economia e o fim da hiperinflação, foram descobertas diversas irregularidades nos números do Econômico, entre elas maquiagem de balanços.

A instituição chegou a receber ajuda do governo por meio do Programa de Estímulo à Reestruturação e do Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), mas não conseguiu se manter na ativa e entrou em liquidação judicial em 1996.

Além de maquiagem nos balanços, os técnicos do Banco Central concluíram que houve desvio de recursos da instituição para outras empresas dos controladores.

A parte “boa” do Econômico foi vendida ao banco Excel, posteriormente adquirido pelo BBVA. O banco espanhol deixou o Brasil nos anos 2000 após negociar seus ativos com o Bradesco.