O Globo, n 32.379, 01/04/2022. Economia, p. 12

Ações da Petrobras fecham em alta de 1, 39 %

Letycia Cardoso


Para analistas, alerta a investidor estrangeiro busca blindar estatal de problemas futuros, e mercado dá voto de confiança a Pires

Um dia depois de fazer um alerta a investidores estrangeiros quanto ao risco de o governo mudar a política de preços da companhia, os papéis ordinários (com voto) da Petrobras subiram 0,39% e os preferenciais (sem voto) avançaram 1,39%. Na avaliação de analistas, o mercado deu um voto de confiança no futuro presidente da estatal, Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

A avaliação é que o governo não seguirá o caminho de mudar a política de preços, que repassa ao valor cobrado na refinaria a flutuação do petróleo e do dólar. A tendência, segundo especialistas, é optar por soluções pontuais, como um subsídio temporário enquanto persistirem os efeitos do conflito entre Rússia e Ucrânia no mercado internacional.

Para Pedro Galdi, analista de investimento da Mirae Asset, a informação, que consta no relatório 20-F enviado pela Petrobras à SEC (órgão regulador do mercado americano), mostra decisão estratégica para evitar que a petroleira sofra qualquer tipo de processo em razão de mudanças futuras.

— O mercado acredita que a nova gestão vai olhar para soluções de curto prazo que contenham as oscilações, como redução de impostos e criação do fundo de estabilização, coisas que já vinham sendo discutidas —afirmou.

O estrategista-chefe do Sara Invest, Marco Saravalle, avalia que o alerta funciona como tática de governança. Texto de teor similar foi enviado à SEC quando Roberto Castello Branco foi demitido da presidência da Petrobras em 2021 e o governo resolveu indicar Joaquim Silva e Luna ao cargo.

—Em relação a esses alertas, durante a Lava-Jato, muitos investidores, principalmente institucionais estrangeiros, entraram com processo e acabaram vencendo, alegando falta de transparência. Por isso, agora a companhia já está se antecipando —afirmou. —O movimento de entrada de recursos estrangeiro tem sido muito forte nos últimos dias. Quem vem procurando liquidez acaba olhando a Petrobras.

Em outra frente, a Petrobras perdeu ação judicial de R$ 1,9 bilhão. A estatal informou que o Tribunal de Justiça do Rio decidiu, por maioria dos votos, acolher o recurso da empresa Paragon Offshore Nederland B.V., ex-fornecedora de sondas de prospecção de petróleo e gás. Do total da ação, R $59 milhões estão provisionados, o valor remanescente está classificado como expectativa de perda possível. A estatal disse que vai recorrer. “A Petrobras apresentará os devidos recursos contra a referida decisão e informa que não houve alteração na expectativa de perda”, disse a petroleira em nota.

A Paragon acusa a Petrobras de não pagar aluguel de sondas por um período. A estatal afirma que o prazo originalmente previsto no contrato foi cumprido e remunerado.