O Globo, n 32.380, 02/04/2022. Política, p. 05
Rosangela acompanha marido e deixa sigla dias após filiação
Advogada, mulher de Moro migra para o União. Dallagnol fica no Podemos
A advogada Rosangela Wolff Moro, mulher do ex-juiz Sergio Moro, acompanhou o movimento partidário do marido e pediu desfiliação do Podemos dias após ter se juntado à sigla. Anteontem, Rosangela se filiou ao União Brasil, mesma sigla escolhida por Moro, e pode concorrer a deputada estadual por São Paulo, para onde havia transferido seu domicílio eleitoral quando ainda cogitava participar das eleições pelo Podemos.
Já o ex-procurador da República Deltan Dallagnol, que coordenou a força-tarefa da Operação Lava-Jato no Paraná, decidiu permanecer no Podemos, de acordo com a colunista do GLOBO Bela Megale. Dallagnol será candidato a deputado federal no Paraná, onde Moro também atuou como juiz.
Rosangela, inicialmente, afirmava que só toparia disputar um cargo eletivo se fosse pelo Paraná, estado onde reside. A cúpula do Podemos convenceu a advogada a se transferir para São Paulo, na última semana, em meio a articulações para construir um palanque para Moro no estado. O partido tentava convencer o ex-juiz a também mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo, para ter uma alternativa caso sua candidatura à Presidência não vingasse. Moro, que resistiu à sugestão do Podemos, resolveu anteontem se filiar ao União Brasil por São Paulo, com a possibilidade de concorrer a deputado federal no estado — hipótese, porém, descartada por ele ontem.
Rosangela, assim como Moro, nunca disputou uma eleição. Ela vinha acompanhando o ex-juiz nas agendas mais recentes da pré-campanha. No último domingo, por exemplo, o casal havia recebido a presidente do Podemos, Renata Abreu, e senadores do partido no Paraná, para uma reunião política destinada a debater a campanha presidencial. Na terça, a advogada esteve, junto com Moro, em um almoço com empresários na Associação Comercial do Rio (ACRJ). Nos últimos dias, em meio ao impasse sobre o futuro partidário e eleitoral de Moro, Rosangela compartilhou em suas redes sociais registros de visitas a instituições filantrópicas e sociais na capital paulista, num pontapé inicial da agenda de campanha. Na quinta, por exemplo, ao registrar a ida a um hospital na Zona Leste de São Paulo, Rosangela escreveu ter ouvido “atentamente as dificuldades e as melhorias que esperam do poder público para poder continuar realizando esse importante trabalho”.
“HISTÓRICO” DA SIGLA
Dallagnol, por sua vez, usou as redes sociais para argumentar que se filiou ao Podemos “pelo histórico de votação do partido no combate à corrupção e nada disso mudou”, reafirmando sua permanência na sigla. Segundo a colunista Bela Megale, Dallagnol citou a aliados três razões para permanecer na legenda: além da postura do partido na tramitação de projetos apoiados pela Lava-Jato no Congresso, o ex-procurador apontou que os três senadores nos quais votou no Paraná são do Podemos e que os considera referência. Dallagnol argumentou ainda que a sigla lhe deu liberdade para defender movimentos suprapartidários que objetivam renovar o Congresso.