O Globo, n 32.380, 02/04/2022. Política, p. 06
Alvo da investida do PSB, Kalil fica no PSD para eleição em MG
Ex-prefeito avaliou convite pessebista visando aliança com Lula ao governo
Em Brasília. Kalil, ao centro, visitou Pacheco para sinalizar que está no PSD
Alvo de uma investida do PSB, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil se reuniu ontem com aliados, em Brasília, e deve permanecer no PSD para concorrer ao Governo de Minas Gerais. Os pessebistas ofereceram como atraente a possibilidade de uma aliança formal com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)-Kalil, porém, está inclinado a associar sua própria imagem à do PT sem aderir a uma lenda anova.
Mesmo com as possibilidades cada vez mais escassas, já que o prazo para as mudanças partidárias a tempo da eleição se encerra hoje, o PSB ainda insiste. O convite foi formalizado em um almoço na quinta-feira com o presidente da legenda, Carlos Siqueira, que foi a Belo Horizonte tentar convencer Kalil.
Na tarde de ontem, o ex-prefeito se reuniu em Brasília com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que afirmou seguir “Unidos”. O senador Alexandre Silveira (PSD-MG) e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus (PV) também participaram do encontro.
Nos últimos dias, lideranças estaduais do PSD reforçaram que uma prioridade do partido é a reeleição de Silveira no estado. O senador foi suplente de Antonio Anastasia, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), e é próximo de Pacheco. Kalil ainda busca uma forma de atrair o PT para a coalizão. O partido, no entanto, deseja ter apoio à candidatura do deputado petista Reginaldo Lopes ao Senado. Mesmo que não migre para o PSB, a sigla caminhará ao lado do ex-prefeito do estado. Ao GLOBO, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse que seu objetivo em Minas é “contribuir para o fortalecimento da candidatura de Kalil”, que descreveu como “nosso aliado”, além de fortalecer o partido para eleger deputados.
O deputado federal Vilson Da Fetaemg, que chefia a diretoria do PSB em Minas, garantiu a sigla em oposição ao governador Romeu Zema (Novo), considerado o principal adversário de Kalil na eleição.
Kalil é considerado pela cúpula do PSD, presidida por Gilberto Kassab, como um dos principais quadros partidários para as candidaturas ao Executivo este ano. Mesmo após receber três negativas de candidatos à presidência, Kassab mantém o discurso de que o partido buscará sua própria candidatura à presidência e que só viabilizará o apoio nacional a Lula no segundo turno, para evitar crise com parlamentares contrários ao PT. O próprio Kalil já era um nome cogitado, no passado, para concorrer ao Planalto pelo PSD, antes de embarcar no projeto da candidatura ao Governo de Minas Gerais.
Kalil, por sua vez, fez sucessivos movimentos de aliança com o PT e com Lula. Para concorrer a vice-governador em sua chapa, Kalil convidou Agostinho Patrus, cujo partido, o PV, fez um acordo de federação com o PT.
Além disso, um dos principais articuladores da aliança entre Kalil e Lula é o ex-ministro Walfrido Mares Guia, cujo irmão, o sociólogo João Batista Mares Guia, também integrou o PV em Minas Gerais.
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