Valor Econômico, v. 23. n. 5699, 01/03/2023, Política, A12
Na reinstalação do Consea, Lula volta a atacar Bolsonaro
Renan Truffi e Fabio Murakawa, Valor
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o antecessor Jair Bolsonaro de “psicopata” e disse nessa terça-feira (28) que “muitas vezes a polícia é a causa da violência” nas periferias. Em evento no Palácio do Planalto, Lula defendeu que seu governo inicie uma discussão para “trabalhar a política de segurança pública” no país. E afirmou que a “ausência do Estado” nas áreas mais pobres agrava o problema.
“Não é só a questão da polícia que vai resolver a questão da violência. Porque muitas vezes a polícia é a causa da violência”, disse. “Às vezes, a figura do Estado não existe na periferia. [...] Vamos ter que trabalhar a política de segurança pública neste país. Ou começamos a discutir agora ou ela nunca vai acontecer.”
Lula fez as afirmações em discurso de lançamento do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), no Palácio do Planalto.
As falas refletem a difícil relação de Lula com as forças de segurança, especialmente a Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento ostensivo nas cidades e cujos integrantes têm um alinhamento ideológico a Bolsonaro.
A Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) teve protagonismo nos atos golpistas do dia 8 de janeiro, ao permitir que manifestantes caminhassem à Esplanada dos Ministérios para depredar os prédios dos três Poderes. No evento, Lula fez referência aos atos golpistas. Ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, e secretário de Segurança Pública à época das depredações, Anderson Torres está preso por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) por seu suposto envolvimento no episódio.
“Vários vidros estão quebrados neste Palácio. Porque meia dúzia de psicopatas, quem sabe orientados pelo psicopata maior [Bolsonaro], acharam que poderiam dar o golpe e voltar ao governo”, disse Lula. “Se eles quiserem voltar a governar, têm que aprender a respeitar a democracia.”
Lula disse que parte da sociedade está se desumanizando e que as pessoas “estão se transformando em “um algoritmo do mal”.