O Globo, n 32.380, 02/04/2022. Mundo, p. 18

Itamaraty muda estrutura e reforça atenção ao clima

Eliane Oliveira


Decreto revê medidas tomadas pelo então chanceler Ernesto Araújo e transforma Departamento Cultural em Instituto Guimarães Rosa

Um decreto do presidente Jair Bolsonaro, publicado no Diário Oficial ontem, revê uma série de medidas tomadas pelo então chanceler Ernesto Araújo na estrutura do Itamaraty, no início do governo. Entre os ajustes, está o fortalecimento da área ambiental, com a volta da Divisão do Clima, tema que passou a exigir um esforço cada vez maior do governo tanto internamente como em fóruns internacionais. As mudanças começaram a ser preparadas assim que Carlos França assumiu a pasta, conforme O GLOBO antecipou em agosto de 2021. Segundo fontes, vários fatores levaram o governo a reforçar um setor voltado ao aquecimento global, como a melhora da imagem do Brasil no exterior e um enfoque maior a mais um ponto em favor da candidatura brasileira a uma vaga na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em uma disputa com Argentina, Peru, Romênia, Bulgária e Croácia.

O organismo deixou claro que a redução do desmatamento na Amazônia e a preservação da biodiversidade são critérios importantes a cumprir. Em janeiro de 2019, um outro decreto presidencial extinguiu a Subsecretaria de Meio Ambiente, Energia e Ciência e Tecnologia. Os temas passaram a fazer parte da Secretaria de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania, que passou a se chamar Secretaria de Assuntos Multilaterais Políticos e terá sob seu comando divisões não só para o clima, mas também para o desenvolvimento sustentável.

Sob o comando da Secretaria de Assuntos Multilaterais Políticos estão mantidos temas relacionados a defesa, assuntos estratégicos, desarmamentos e temas sociais. Com o decreto, sai da nova secretaria a área de assuntos consulares, agora oficialmente chefiada pelo embaixador Leonardo Gorgulho. As duas áreas haviam sido fundidas.

Na nova estrutura desenhada pelo chanceler Carlos França, a área econômica ganhou um departamento focado em temas financeiros e economia internacional, para lidar com o G20 (grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo, inclusive o Brasil) e a OCDE. O Brics passou a ser tratado pela Secretaria de Ásia. Entre outras novidades, o Departamento Cultural foi transformado no Instituto Guimarães Rosa. Também foi criada uma divisão específica de Defesa e Segurança Cibernética.

Em nota, o Itamaraty destacou que a nova estrutura regimental fortalece a gestão da pasta e “é resultado de minucioso processo de reflexão e de consultas internas”. O organograma reflete as três ênfases dadas à política externa por Carlos França: combate à pandemia, recuperação econômica e desenvolvimento sustentável.