O Globo, n 32.381, 03/04/2022. Política, p. 09

Brasil dá um importante passo para promover a liberdade religiosa



Referência mundial, país recebe um dos principais eventos sobre o assunto com representantes de diferentes nacionalidades

O Rio de Janeiro recebeu, de 23 a 25 de março, o “Primeiro Simpósio Brasileiro de Liberdade Religiosa: Fundamento para Convivência, Justiça e Paz”. Pensadores internacionais de diversas áreas como educacional, religiosa, jurídica e social discutiram formas de incentivar a liberdade religiosa como direito fundamental no Brasil e no mundo. Um dos palestrantes mais expressivos do encontro foi o americano Gary B. Doxey, da Universidade Brigham Young, que já ajudou a promover debates sobre o assunto em mais de 50 países. Ele reconhece que ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas adianta que tem visto progresso nos últimos anos. E destaca que o Brasil é um exemplo a ser seguido. — É um país abençoado, com muita liberdade religiosa em relação ao restante do mundo. Aqui, pessoas diferentes se aceitam e se respeitam independentemente da crença religiosa. É um país exemplar nesse sentido — afirma o americano.

O Brasil é referência mundial nesse assunto, afinal, liderou durante muitos anos o ranking de liberdade religiosa entre os 25 países mais populosos do mundo, de acordo com a Pew Research. Na última atualização, no entanto, em 2019, o país caiu para a quinta colocação (veja quadro abaixo). Por isso, a vinda desse evento é extremamente significativa e foi a primeira vez que ele aconteceu fora dos Estados Unidos. Na abertura do simpósio, um encontro inédito promoveu o diálogo entre líderes religiosos que representam segmentos distintos: Élder Ulisses Soares, apóstolo de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; Mohammed Al Bukai, xeque eimam da União Nacional das Entidades Islâmicas; Stanley Arco, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia e o diácono Nelson Água, secretário da Comissão da Arquidiocese do Rio de Janeiro para o Diálogo Inter-Religioso.

COMPLEXIDADE

O português Jónatas Machado, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que trabalhahá mais de 30 anos no Direito Público e já veio pelo menos 40 vezes ao Brasil, conhece de perto as realidades europeia e brasileira, e destaca a complexidade do nosso país:

— O Brasil é do tamanho de um continente. É um país muito diverso, muito complexo. Tem seus problemas, claro, e estamos aqui para debater isso. Mas a composição étnica do povo brasileiro se mistura muito, é muito plural, e as pessoas aprendem melhor a conviver e a respeitar as diferenças. Na Europa, essa relação identitária é diferente — diz o professor. Jónatas faz questão de falar do progresso do Judiciário brasileiro:

— Em relação à liberdade religiosa, vejo avanços muito significativos dos juristas brasileiros tanto em quantidade quanto em qualidade. Há muita pluralidade de ideias. O Simpósio de Liberdade Religiosa foi promovido pelo Centro Internacional de Estudos em Direito e Religião da Faculdade de Direito J. Reuben Clark, da Universidade Brigham Young, em parceria com o Centro Brasileiro de Estudos em Direito e Religião.

Um dos pontos altos da programação foi a visita ao Templo do Rio de Janeiro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, na Barra da Tijuca. O templo está aberto para visitação pública até o dia 30 de abril.