O Globo, n 32.381, 03/04/2022. Política, p. 14
Novo lança pré- candidatura de Felipe d'Avila ao Planalto
Ex—presidenciável, Cabo Daciolo se filia ao PDT de olho no Senado, após tentativa de candidatura a governador do Rio pelo PROS
O partido Novo lançou oficialmente ontem o cientista político Felipe d’Ávila, de 58 anos, como pré-candidato da legenda às eleições presidenciais. Ele é defensor de uma agenda liberal e a terceira via como forma de fazer frente à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso durante o lançamento, d’ Ávila afirmou que seu objetivo é combater o “populismo de esquerda e direita”. O anúncio aconteceu em São Paulo, durante o 6º Encontro Nacional do Novo na Fecomércio.
O único governador filiado ao partido, Romeu Zema, de Minas Gerais, participou do evento, além de deputados da legenda e filiados. Esta será a segunda vez que o Novo disputará uma eleição presidencial. Em 2018, o ex-presidente da sigla João Amoêdo ficou em quinto lugar, com 2,5% dos votos. D’Ávila ecoou o discurso de outros candidatos da direita não bolsonarista, como Sergio Moro (União) e João Doria (PSDB), ao criticar “o Brasil das rachadinhas, do mensalão, do petrolão”, em referência a escândalos de corrupção associados a Jair Bolsonaro e ao PT.
— O país continua estagnado há mais de 20 anos. Vamos ter que trabalhar para fazer esse país sair do marasmo. Nossa missão em 2022 é derrotar o populismo nas urnas. O populismo de direita e de esquerda prometeu que o Brasil ia crescer e nos deram 20 anos de estagnação econômica. Prometeram que gerariam emprego e nos deram o maior desemprego da História do Brasil —afirmou.
DACIOLO DE CASA NOVA
O ex-deputado federal Cabo Daciolo, presidenciável em 2018 pelo Patriota, assinou na última sexta-feira sua filiação ao PDT. Ele decidiu concorrer ao Senado no Rio. Daciolo chegou a tentar uma candidatura a governador pelo PROS, mas o projeto acabou frustrado em meio a uma disputa jurídica pelo comando da sigla. Anteriormente, ele já havia declarado apoio à candidatura do pedetista Ciro Gomes ao Planalto neste ano.
—O encontrou com o PDT aconteceu de forma sobrenatural. Estava no Ceará para visitar um amigo e recebi a notícia de que a Polícia Federal estava na casa do Ciro Gomes e o espírito santo me impulsionou a ir orar com ele — afirmou Daciolo.
Após seu projeto de disputar o Palácio Guanabara naufragar, Daciolo foi a São Paulo na última sexta-feira decidido a concorrer ao Senado ou ao governo paulista. No entanto, foi convencido de que havia espaço para tentar a vaga pelo Rio. No mês passado, Daciolo anunciou que seria pré-candidato ao governo do Rio pelo PROS. Porém, a executiva nacional do partido negou a candidatura e afirmou que não tinha sido consultada. O PROS tem cargos no governo do Rio, o que incomodou a campanha de reeleição do governador Cláudio Castro (PL). Daciolo disse que as movimentações feitas por Castro para minar sua candidatura motivaram sua decisão de ir para São Paulo, estado de origem de sua mãe.