O Globo, n 32.381, 03/04/2022. Política, p. 09

Educação é o melhor recurso contra intolerância



Ana Patrícia Dantas Leão afirma que o Estado laico precisa atuar na defesa dessa liberdade
Baiana, mulher e negra, a advogada Ana Patrícia Dantas Leão, líder do movimento “Por Amor à Advocacia”, fez um dos depoimentos mais emocionantes do “Primeiro Simpósio Brasileiro de Liberdade Religiosa: Fundamento para Convivência, Justiça e Paz”. Para ela, há um longo caminho a ser percorrido no Brasil, e isso passa pelo combate ao racismo.

— É impossível falar de liberdade religiosa sem falar no racismo estrutural que existe no Brasil. Muitos casos de intolerância religiosa no país são contra religiões de matrizes africanas — disse a advogada. Para ela, é muito importante receber um evento desse porte, mas é fundamental que a sociedade também entre nesse debate. Entusiasta do assunto, ela destaca pontos essenciais para a promoção do combate à intolerância religiosa no Brasil:

— É preciso envolver a sociedade no centro do debate sobre liberdade religiosa. E só conseguiremos promover mudanças comportamentais através da ed

Precisamos investir na educação das novas gerações. Do contrário, daqui a 20 anos, estaremos discutindo os mesmos problemas. O Brasil é um país laico — Ana Patrícia diz que essa é uma grande conquista e precisa ser valorizada. Principalmente quando comparamos o país com outros de estrutura democrática. Mas ainda é preciso trabalhar para que essas conquistas sejam efetivadas. E, para isso, é necessário que todas as religiões sejam respeitadas independentemente do nível de relacionamento político e institucional que cada uma mantém com o Poder Público no Estado Brasileiro.

O Estado laico não pode apenas aceitar a coexistência de diferentes crenças. Ele precisa atuar na defesa da sua autonomia, do seu respeito, então, precisamos de políticas públicas e de ações afirmativas para promover a liberdade religiosa — diz. Para a advogada, o fato de o Brasil ser um país muito miscigenado é um ponto forte na luta contra o preconceito, pois o brasileiro aprende a conviver com a diversidade desde muito cedo.

— Quando se fala em liberdade religiosa, estamos falando de respeito à pessoa humana, de direitos fundamentais e de dignidade. E, nesse sentido, o Brasil ainda tem muito a percorrer.