O Globo, n 32.381, 03/04/2022. Mundo, p. 26
ZONA DE KIEV LIBERADA
UCRÂNIA DIz CONTROLAR TODA A REGIÃO EM TORNO DA CAPITAL
A Ucrânia afirmou ontem que as forças russas estavam “se retirando rapidamente” da região de Kiev, no Norte do país, e no fim do dia anunciou que toda a área no entorno da capital fora reocupada pelas forças ucranianas, incluindo os subúrbios de Irpin e Bucha, palcos de fortes combates, assim como a zona de Hostomel, onde fica um aeroporto. A Rússia não comentou e a informação não pôde ser confirmada por fontes independentes. Na semana passada, Moscou anunciou que reduziria os ataques a Kiev e Chernihiv, no Norte, para “facilitar as negociações” de cessar-fogo. Pouco antes, o Kremlin afirmara que a “primeira fase” de sua operação militar estava concluída e que se concentraria em “libertar” as regiões separatistas pró Moscou em Donbass, no Leste do país. Analistas militares, no entanto, avaliam que o reposicionamento russo se deve a dificuldades inesperadas, como a forte resistência ucraniana e problemas logísticos, que frustraram uma rápida vitória.
MINAS TERRESTRES
O governador da região de Chernihiv, Viacheslav Chaus, confirmou que a cidade, devastada pelos combates nas últimas semanas, não sofreu novos ataques sexta e ontem.
“Com a rápida retirada dos russos de Kieve Chernihiv, está bastante claro que a Rússia escolheu outra tática prioritária: retirar-se para o Leste e para o Sul, manter o controle de vastos territórios ocupados e ganhar uma base poderosa lá”, escreveu o conselheiro presidencial ucraniano, Mikhailo Podoliak, no Telegram. Por sua vez, o presidente Volodymyr Zelensky acusou soldados russos de deixarem minas nos locais ao se retirarem ou serem expulsos pelas forças ucranianas.
RÚSSIA CULPA CRUZ VERMELHA
Ontem, o governador da região de Luhansk, no Leste, em grande parte controlada pelos separatistas pró-Moscou, disse que houve intensos combates durante a noite nas cidades de Lysychansk e Toshkivka. Além de recuperar o controle da área em torno de Kiev, as tropas ucranianas avançavam em Kherson, no Sul, a única grande cidade que a Rússia conseguiu ocupar. Já em Mariupol, cidade às margens do Mar de Azov bombardeada há um mês pelos russos, fracassou pelo terceiro dia a iniciativa do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para resgatar civis. Cerca de 160 mil pessoas estão cercadas, e a Rússia culpou o CICV pelo fracasso, alegando que os comboios partiram tarde demais e não conseguiram chegar à cidade a tempo.