O Globo, n 32.382, 04/04/2022. Economia, p. 14

Retorno da aplicação permanece vantajoso



Especialistas consideram o momento oportuno para investir em um horizonte de médio e longo prazo

Embora as projeções dos especialistas estejam pautadas na cautela, os números mostram que, no que diz respeito ao retorno em dividendos, os fundos imobiliários estão cumprindo seu papel. Basta comparar o prêmio de risco (ganho acima da rentabilidade oferecida por outras classes de ativos) do fundo imobiliário com os juros reais( descontada a inflação) de longo prazo, como o Tesouro IPCA+ 2045, título público indexado à inflação, uma vez que os contratos de aluguel também são atrelados ao IPCA.

Fábio Carvalho, sócio da Alianza, lembra que a comparação com os juros longos acontece porque a Selic é um juro imediato, mas no caso da renda variável, de horizontes maiores, especialistas e investidores costumam acompanhar os juros longos, ou seja, o Tesouro IPCA+ com prazos de vencimento maiores, como 2045.

Assim, em relação ao título público e aos fundos imobiliários, acrescenta Rodrigo Possenti, gestor da Fator, hoje um Tesouro IPCA+ de longa duração paga em torno de 5,5% ao ano mais inflação, enquanto o Ifix (Índice de Fundos Imobiliários da B3) distribui 10,43% ao ano mais inflação.

— Os fundos imobiliários que pagam tal patamar de rentabilidade ainda carregam a vantagem de remunerar mensalmente e com isenção do Imposto de Renda, ao passo que, em um título público, não há remuneração mensal e nem isenção de imposto — lembra Possenti.

TIJOLO OU PAPEL?

Carvalho, da Alianza, ressalta ainda que, no Brasil, o investidor paga imposto sobre a inflação. Isto é, se ele investe no CDI, que está próximo de 11%, a taxação acontece em cima deste percentual:

—Mas quanto desses 11% é rendimento de fato e quanto é inflação? — questiona. — Então, atualmente, os ganhos dos fundos imobiliários estão entre os maiores da história em relação ao Tesouro IPCA+ 2045. Para investimentos de médio e longo prazo, o momento é muito positivo, pois dá para encontrar ativos baratos, com boas chances de valorizar.

E para quem quiser aproveitar essa janela de oportunidade, Carvalho lembra que os fundos imobiliários de papel, que investem em títulos do setor imobiliário, costumam ser mais interessantes para o curto prazo:

— É bom para ter rendimento de forma mais rápida, já que pagam a inflação todo mês, mas são menos eficientes para ganho de capital. Ou seja, se o investidor comprar a cota de um fundo por R$ 100, daqui a cinco anos ela continuará valendo o mesmo, pois não tem ganho de capital.

No caso dos fundos de tijolo, que investem nos ativos físicos, o sócio da Alianza argumenta que eles não repassam a inflação no curto prazo, mas ganham valor no longo prazo, ou seja, podem ajudar o investidor a construir patrimônio.

Fábio Bergamo, diretor da JLP Asset Management, chama atenção, porém, para o efeito da inflação e dos juros altos nos fundos de tijolo. Estes tendem a ter um impacto negativo no mercado imobiliário, uma vez que o custo de capital aumenta e se torna mais difícil repassar a inflação integral no contrato do aluguel.

—Naturalmente o fundo de papel vai ter uma atratividade maior porque está exposto à taxa de juros crescente, a o passo que poucos fundos de tijolo vão conseguir equilibrar esse momento da economia—diz.

—E é por isso que não faz sentido ter um portfólio só com um tipo de ativo. Os fundos de tijolo e de papel se complementam.