Transcrição
Quanto tempo se perde rolando feeds ou vendo vídeos que rodam
automaticamente na tela? A navegação na internet e, mais especificamente, em
redes sociais, é desenhada de forma que a pessoa gaste a maior tempo possível
consumindo conteúdos. Só que, a partir da entrada em
vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente e de sua regulamentação,
estão proibidas as chamadas práticas "manipulativas", como a rolagem
infinita e a reprodução automática de vídeos, para prender a atenção do
usuário. Contas de menores de 16 anos deverão estar vinculadas à de um
responsável e as plataformas deverão seguir as orientações da Agência Nacional
de Proteção de Dados, ANPD, sobre a adoção de mecanismos confiáveis de aferição
de idade. Para a advogada especialista em Direito Digital, Patrícia Peck, o ECA
digital chama pais e responsáveis para um papel ativo na educação digital de
seus filhos e dependentes :
(Patrícia Peck )
"Sem parecer que 'Ai, eu estou ferindo a privacidade do filho', não! A lei
diz que é um dever, que precisa ser realizado e que a gente tem aqui um
objetivo comum de evitar, de prevenir situações em que o jovem seja exposto a
violência e abuso, a produtos proibidos, como jogos de azar, apostas, tabaco,
álcool, narcóticos."
As plataformas deverão oferecer meios que
facilitem o controle parental e não poderão analisar o comportamento de
crianças e adolescentes para oferecer publicidade personalizada. Lojas de apps
deverão impedir a disponibilização de aplicativos que promovam, ofertem ou
viabilizem o acesso a apostas ilegais. O ECA Digital também proibe
as chamadas "loot boxes" - caixas de recompensa - presentes em alguns games online. O
objetivo é desestimular o jogo compulsivo. De acordo com Patrícia Peck, há
plataformas que têm optado por aumentar a faixa etária do usuário para não
mudar configurações de jogos:
(Patrícia Peck) "Isso acabou fazendo com
que alguns jogos que eram jogados por menores de 18 anos tenham, desde a
entrada em vigor da legislação, feito uma classificação etária atualizada, ou
seja, reclassificaram o jogo para poder manter a loot
box. E aqueles que são completamente voltados para criança e adolescente, está
proibido."
As empresas transnacionais de games que
decidirem manter seu público infantojuvenil devem oferecer versões do jogo sem
caixas de recompensas, operar restrição geográfica no território brasileiro ou
retirar a funcionalidade para todos os usuários.
Da Rádio Senado, Marcela Diniz.