Pesquisa aponta preocupação com uso da inteligência artificial nas eleições
Transcrição
O laboratório de comunicação Projeto Brief fez uma pesquisa sobre inteligência
artificial e o resultado revela que 70% dos entrevistados acreditam que a IA
pode ser usada para influenciar as eleições. Menos de metade dos participantes
conseguiram identificar a origem de um vídeo como sendo de IA. A antropóloga e
especialista em comportamento digital, Carol Luck, destaca as consequências
disso. Ela aponta os segmentos da população mais vulneráveis à manipulação.
(Carol Luck) "Quando a gente fala de reconhecimento visual de um vídeo
político, enfim, tem essa vulnerabilidade bem maior entre as pessoas mais
velhas, porque os mais jovens já nasceram com a tecnologia presente no dia a
dia. Então, isso é especialmente importante nesse ano eleitoral, porque esses vídeos
costumam circular muito em ambientes de confiança pessoal, como grupos de
família, no WhatsApp, em redes de conhecidos". De acordo com a pesquisa,
um terço das pessoas vê as respostas geradas por IA como confiáveis "como
qualquer outra fonte", sem fazer o devido cruzamento de dados ou checagem
de fontes. O estudo também destacou que a confiança no conteúdo é fortemente
influenciada pela posição política de quem assiste, fazendo com que a IA seja
muito eficaz em reforçar crenças preexistentes. Carol Luck explicou de que
forma pode ser evitado o compartilhamento de notícias falsas, especialmente no
período eleitoral. (Carol Luck) "A resposta mais segura é parar antes de
compartilhar. Procura a fonte original antes de compartilhar qualquer informação.
Vê se há cobertura jornalística confiável, checar, fazer uma checagem
dependente. A gente tem várias agências de checagem também, então é muito
importante a gente passar por todos esses pontos". Dados do estudo também
apontam que apenas 23% preferem recorrer exclusivamente a fontes humanas, como
jornalismo e debates, e 14% dizem não confiar em IA para informações políticas.
A íntegra da pesquisa está www.projetobrief.com/especiais. Da Rádio Senado,
Pedro Pincer.