Debatedores criticam projeto com regras para atendimento a idosos
Transcrição
O projeto que cria regras de atendimento à saúde em instituições de longa
permanência para idosos, chamadas de ILPIs, foi criticado por todos os
debatedores de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos. O texto
já aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente em análise pelo Senado
determina que esses estabelecimentos atuem não só em conjunto com o Sistema
Único de Assistência Social, mas também com o Sistema Único de Saúde. O
presidente da Federação de Instituições de Longa Permanência para Pessoa Idosa,
Sergio Soares de Oliveira, explicou que a lei atual diferencia os lares
simplesmente assistenciais de outros estabelecimentos que oferecem atendimento
médico complexo, em ambiente hospitalar. (Sergio Soares de Oliveira) "Nós
já temos em nosso país, instituições que já são instituições híbridas, que são
as casas de repouso. O que está em jogo? Incoerência. Empurra a ILPI pra virar
uma instituição de saúde. Vai acabar com as ILPIs. Não vai existir ILPI no
nosso país. Porque é o que esse projeto de lei está fazendo. Transfere pra o
idoso, gente a obrigação do Estado, que é cuidar de promover a saúde, vai ser
obrigada a ter profissional de saúde 24 horas. E o que que isso vai acontecer?
O idoso que vai pagar". Problemas no projeto foram apontados também pela
representante do governo, Daniella Jinkings, do Ministério do Desenvolvimento e
Assistência Social. (Daniella Jinkings) "Caso isso passe, a gente vai ter
um resultado absurdo, desastroso, né? E também aumentar a desigualdade. Por quê?
Porque se a gente não tem o serviço público, quem depende do serviço público
não vai ter acesso. Agora, quem pode pagar, vai ter". Ex-Secretário
Nacional da Pessoa Idosa, Antônio Costa criticou a aprovação da proposta pelos
deputados. (Antônio Costa) "A preocupação desse projeto: ele é
primeiramente inconstitucional, porque ele traz deveres que são dos estados
para as instituições de longa permanência. Então é inviável você aprovar um
projeto dessa natureza, porque se passar dessa forma é um desastre. Eu não sei
como conseguiram passar na Câmara dos Deputados". A senadora Damares
Alves, do Republicanos do Distrito Federal, é presidente da comissão e também
relatora do projeto. Ela quer promover mais debates. (senadora Damares Alves)
"Escreveram um texto sem ouvir quem realmente precisava ser ouvido. Como é
que a gente consegue fazer isso? Consegue. O Parlamento consegue coisas que a
gente não imagina. E eu estou sentindo o peso da minha responsabilidade
agora". Depois que for votado na Comissão de Direitos Humanos, esse
projeto precisa ser analisado ainda na Comissão de Assuntos Sociais. Da Rádio
Senado, Marcio Maturana.