Valor Econômico, v. 23. n. 5692, 16/02/2023, Empresas, B4
iFood faz nova onda de demissões e corta 355 funcionários
Daniela Braun, Valor
O iFood, plataforma líder de entrega de refeições por aplicativo no Brasil, anunciou nesta quarta-feira a segunda onda de demissões em pouco mais de seis meses. A empresa atribuiu o corte de 355 pessoas, equivalente a 6,5% da equipe de 5.450 funcionários no país, ao cenário econômico mundial.
Empresas de tecnologia como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft vêm cortando pessoal desde o ano passado.
Demissões também estão sendo feitas pela holandesa Prosus, dona do iFood. No fim de janeiro, a Prosus e sua controladora, a sul-africana Naspers, anunciaram o plano de cortar em 30% a força de trabalho corporativa. No Brasil, além do iFood, a Prosus tem o site de comércio on-line OLX.
“O iFood tomou hoje a difícil decisão de descontinuar algumas posições internas, impactando em postos de trabalho de colaboradores, que ajudaram a escrever a nossa história”, disse a empresa, em nota. “O atual cenário econômico mundial tem exigido das empresas ações imediatas na busca por novas rotas para enfrentar essas adversidades. Não foi diferente com o iFood”, disse a companhia.
Essa é a segunda onda de demissões da empresa desde junho de 2022, quando cortou pelo menos 80 colaboradores e reduziu pela metade as novas contratações.
Líder do segmento de entrega de refeições prontas no país, com fatia de 76%, segundo a empresa de análises Statista, o iFood tem a missão de reduzir contratos de exclusividade com bares e restaurantes no Brasil. As medidas foram acordadas com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em fevereiro, para equilibrar o mercado de delivery de comida no país e têm duração de quatro anos.
Entre os concorrentes do iFood, o aplicativo Aiqfome, da varejista Magazine Luiza, demitiu 70 pessoas em meados de fevereiro. A empresa explicou que os cortes “fazem parte de um processo de reorganização das estruturas, após a integração com os negócios da ToNoLucro, GrandChef e Plus Delivery, empresas adquiridas nos últimos dois anos”.
Em janeiro, a empresa de transporte por aplicativo 99, que oferece o app 99Food, também promoveu uma segunda onda de cortes em todas as áreas da empresa no Brasil, onde contava com 800 funcionários. A primeira demissão em massa ocorreu em setembro. O número de demitidos não foi informado pela companhia.
O iFood registrou receita de US$ 606 milhões no primeiro semestre do ano fiscal de 2023, com aumento de 29% na comparação anual, segundo o balanço parcial divulgado pela Prosus no fim de novembro. A companhia, que teve 100% de seu controle adquirido pela Prosus em agosto, reduziu o prejuízo comercial para US$ 59 milhões no semestre fiscal.
O grupo holandês teve lucro comercial de US$ 1,4 bilhão no primeiro semestre fiscal de 2023, queda de 37% na comparação anual. A receita foi de US$ 16,5 bilhões, alta de 9% sobre o mesmo período de 2021. Na área de delivery de refeições, além do iFood, a Prosus controla a Delivery Hero e a Swiggy. Neste segmento, a receita somou US$ 1,9 bilhão no primeiro semestre fiscal, alta de 52% na comparação anual, e o prejuízo aumentou em US$ 69 milhões, somando US$ 381 milhões.
“Olhando para o futuro, trabalharemos para simplificar a estrutura do grupo e para cristalizar o valor de nosso portfólio”, disse Bob van Dijk, diretor-presidente da Prosus, em novembro, na divulgação do balanço parcial da primeira metade do ano fiscal de 2023, que se encerra no fim de março.