O Globo, n 32.383, 05/04/2022. Economia, p. 16
Ações da Petrobras caem 1,02% com crise na sucessão da petroleira
Vitor da Costa
A crise na sucessão da Petrobras afetou as ações da companhia. Os papéis ordinários (com voto) da petroleira recuaram 1,02%, a R$ 34,87 e os preferenciais (sem voto) caíram 0,94%, a R$ 32,70. Segundo analistas, a queda dos papéis levou o Ibovespa, índice de referência dos investidores, a começar a semana no negativo, com desvalorização de 0,24%, aos 121.280 pontos.
— A Petrobras teve um susto com a incerteza. O mercado penaliza porque recebeu bem a indicação do nome de (Adriano) Pires (que desistiu da indicação). Ele é alguém que o mercado entende como especialista. Na dúvida de qual nome entraria no lugar, o papel foi afetado —afirmou Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.
Analistas ponderam ainda que as mudanças frequentes no comando e o risco de ingerência do controlador, a União, também resultam em desconto no papel. Marcelo Boragini, sócio da Davos Investimentos, porém, chama a atenção para o preço baixo do papel, o que faz com que ele atraia a atenção do investidor, e o potencial de pagamento de dividendos. No ano, os papéis ordinários sobem 13,58%, impulsionados pela alta do petróleo. Ontem, o barril do Brent avançou 3%, a US$ 107,53.
DÓLAR FECHA A R$ 4,60
Em outra frente, o dólar encerrou em baixa de 1,27%, a R$ 4,60. Trata-se da menor cotação de fechamento desde 4 de março de 2020, quando a divisa terminou negociada a R$ 4,57. No ano, a moeda americana acumula baixa de 17,35%. O real vem se beneficiando do diferencial de juros — com a taxa básica a 11,75% ao ano e perspectiva de novo aumento — em relação a outros países, o patamar elevado de preços de commodities e a forte entrada de fluxo estrangeiro na B3.