O Globo, n 32.383, 05/04/2022. Política, p. 04

OS ALTOS E BAIXOS DOS QUE BUSCAM SE FIRMAR COMO ALTERNATIVA



Cenário favorável

Com a reprovação ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) batendo recorde em setembro do ano passado, de acordo com pesquisa divulgada pelo Datafolha, políticos e partidos viram uma chance de tentar se firmar como uma opção de terceira via, para tentar romper a polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual titular do Palácio do Planalto. Naquele mês, o índice dos que consideram a gestão de Jair Bolsonaro ruim ou péssima chegou a 53%, o maior desde o início do mandato. Esse patamar se manteve até dezembro do ano passado.

Delineamento de candidaturas

As prévias do PSDB, em novembro do ano passado, escolheram o então governador de São Paulo, João Doria, como pré-candidato do partido à Presidência, em uma definição considerada importante no campo da chamada terceira via. Ele derrotou o então governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Em outra frente, o ex-juiz Sergio Moro se filiou ao Podemos, abrindo caminho para a disputa ao Palácio do Planalto. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), já havia trocado, 14 dias antes, o DEM pelo PSD, também com o intuito de concorrer à Presidência da República.

Patinando nas pesquisas

Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 24 mostra a chamada terceira via patinando. O nome mais competitivo era o de Moro, com 8%, mas, mesmo assim, longe de ameaçar Lula, que lidera com 43%, seguido de Bolsonaro, com 26% das intenções de voto. Na sequência vem Ciro Gomes, do PDT, com 6%. Ele tenta se firmar como uma alternativa, mas não participa das conversas com os partidos de centro que tentam formar uma frente para romper a polarização nas eleições. Com a sua competitividade posta em xeque no PSDB, Doria continua com 2% e Leite, seu principal algoz, não tem desempenho muito diferente, aparecendo com 1%.

Turbulências no percurso

Em um dia de turbulências no cenário político, Moro anunciou, na última quinta-feira, a migração do Podemos para o União Brasil e também a desistência de concorrer à Presidência. Isolado em seu partido, ele estava com dificuldade de montar palanques regionais e não contava com uma estrutura sólida, como recursos para a campanha e tempo de propaganda na TV. No mesmo dia, Doria também ameaçou desistir da corrida presidencial, insatisfeito com a falta de respaldo em seu partido. Uma ala do PSDB articula lançar Eduardo Leite para o Planalto, a despeito do resultado das prévias.

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