O Estado de S. Paulo, n. 47903, 12/12/2024. Economia & Negócios, p. B4

Selic a 15% gera risco para o governo às portas da eleição

Sergio Vale


 

Na falta de uma política fiscal adequada, sobrou integralmente para o Banco Central o trabalho de conter as expectativas de inflação. Corretamente, o banco subiu a taxa em um ponto porcentual e já sinalizou mais duas altas iguais. O ciclo final deverá se aproximar de 15%, alta minimamente necessária paras e estabilizara inflação abaixo do teto da meta para 2025 e 2026.

O ponto central aqui é que não há clareza por parte da maioria do governo e do Congresso de quão grave é a situação fiscal. O primário necessário para estabilizara dívida pública bruta se encontra em torno de 3,5% e estamos muito pro vav elmente falando de déficits primários de 0,7% do PIB, mesmo com o governo alcançado os objetivos traçados no pacote anunciado.

Por isso, não tem alternativa para o Banco Central. Hiato do produto crescente, com preços de serviços em aceleração e taxa de câmbio caminhando para se estabilizar em torno de R$ 6 coloca a necessidade, novamente, de o Banco Central ter de fazer o trabalho que o governo nega fazer na política fiscal.

Mas Selic a 15% coloca um grande ris copara o próprio governo de uma desaceleração mais grave às portas da eleição. Com isso, Lula se parece cada vez mais com o governo Dilma