O Globo, n 32.384, 06/04/2022. Política, p. 07

“Eu mudei, o Alckmin mudou, e o Brasil mudou'', diz Lula



Petista indica anúncio de chapa com o ex-governador de SP para sexta-feira

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relembrou em um post publicado ontem no Twitter o passado com Geraldo Alckmin, cotado para vice em sua chapa à Presidência da República. O petista disse ter sido adversário do ex-governador de São Paulo, mas “não inimigo”: “Eu mudei, o Alckmin mudou, e o Brasil mudou”, escreveu o ex-presidente, que em entrevista à rádio paranaense Lagoa Dourada, também ontem, indicou que anunciará o seu vice na próxima sexta-feira.

Ainda na entrevista, Lula reiterou a opção de Alckmin de trocar de partido — ele foi para o PSB — e que esta semana vai propor o nome do ex-governador paulista para disputar a vice-presidência.

— Eu vou ter uma reunião na sexta-feira em que o PSB vai propor o Alckmin de vice, e isso nós vamos levar para discutir no PT. Se nós estivermos juntos, vamos reconstruir o Brasil, porque nós somos dois democratas —declarou Lula.

Alckmin também tem exaltado o ex-adversário. Na filiação ao PSB, no último mês, disse que Lula “representa a própria democracia”:

Incentivado a ser vice da chapa presidencial, o ex-tucano será importante, segundo aliados de Lula, para conquistar eleitores de centro e setores econômicos ainda relutantes ao retorno do PT ao poder. Tanto Lula quanto Alckmin têm construído um discurso realçando a importância de um projeto maior, em prol da democracia.

A entrada de Alckmin na disputa eleitoral também serve ao propósito de Lula de tentar atrair eleitores de centro, grupo também disputado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelos postulantes que buscam ocupar a terceira via.

À rádio paranaense, Lula afirmou que o país não tem “plena democracia hoje” e que Bolsonaro “ataca a democracia e a imprensa todo dia”.

Alckmin usou um argumento similar no discurso de ingresso ao PSB. Ao criticar o presidente, afirmou que a mentira “é o que há de pior para o regime democrático”.

Durante mais de seis meses, Alckmin negociou com outras legendas a saída dele do PSDB — ele também tinha convites do PV e do Solidariedade — até decidir pelo PSB. Embora não tenham chegado num acordo com o PT para formar uma federação, os pessebistas farão parte da frente de partidos de esquerda na coligação de Lula, e Alckmin será o símbolo dessa união.