O Globo, n 32.384, 06/04/2022. Brasil, p. 10

Resgatada após 40 anos em condição de escravidão



Com tumor no cérebro, mulher de 52 anos tinha direito a benefício, mas patroa ficava com o valor

Uma mulher de 52 anos foi resgatada na semana passada em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, após permanecer por quatro décadas submetida ao trabalho em condições análogas à escravidão. A mulher tinha um tumor cerebral diagnosticado que a fez ganhar o direito ao benefício de prestação continuada, mas a patroa ficava com o valor pago.

A vítima foi retirada do seu local de trabalho e levada para a residência de parentes. O caso chegou ao conhecimento das autoridades graças a uma denúncia enviada ao Ministério Público do Trabalho.

“CASO CLÁSSICO”

— Esse é um daqueles casos clássicos de empregada doméstica que foi levada ainda criança para a casa do empregador e que nunca recebia salário, sob o argumento de que seria da família. Essa é uma realidade que infelizmente vemos se repetir, mas que os órgãos de fiscalização estão buscando combater — afirmou a procuradora Manuella Gedeon, coordenadora de combate ao trabalho escravo do Ministério Público do Trabalho da Bahia.

A patroa, que não teve o nome revelado pelo Ministério Público para evitar a identificação da vítima, se comprometeu a pagar verbas rescisórias e a indenização por dano moral no total de R$ 150 mil, em 50 parcelas mensais.

A indenização irá cobrir também a apropriação indébita, pela patroa, do pagamento do benefício de prestação continuada.