O Globo, n 32.385, 07/04/2022. Economia, p. 11

Indicado já defendeu atual política de preços da estatal



O novo indicado pelo governo para presidir a Petrobras tem um perfil típico de técnicos do governo federal: passou por diversos órgãos, inclusive de gestões do PT. E, ao mesmo tempo em que defendeu a atual política de preços da Petrobras —motivo de críticas do presidente Jair Bolsonaro —coincide com o presidente na responsabilização de governadores e do ICMS pela alta no preço das bombas de combustíveis.

—Os combustíveis são derivados do petróleo, que é uma commodity precificada em dólar no mercado internacional. Se o preço do petróleo aumenta, o dos combustíveis aumenta também —disse ao programa “Brasil em Pauta” em outubro passado.

Essa é a explicação que o governo usa para justificar as elevações dos preços dos combustíveis, incluindo gasolina e gás de cozinha, para o consumidor. Outra razão para essa dependência do mercado internacional é que o Brasil, apesar de investimentos feitos em refinarias de petróleo, é um grande importador desses produtos e os preços no mercado doméstico precisam ser competitivos.

—Se assim não fosse, não teríamos nenhum agente econômico com vontade de trazer derivados de petróleo para o mercado doméstico e isso traria desabastecimento para o país —ressaltou. 

Mas dá eco a Bolsonaro: 

—O ICMS tem o potencial de aumentar ainda mais o preço. É um efeito cascata: o combustível aumenta e o valor do ICMS em relação ao litro aumenta também.

Homem de confiança do ministro Bento Albuquerque (|Minas e Energia), Coelho é apontado como técnico, mas já se aventurou na política: foi candidato a deputado estadual pelo Rio em 2006, quando teve apenas 1.437 votos. Na época, seu partido era o PSDB, hoje na oposição a Bolsonaro.

José Mauro Coelho era funcionário concursado da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), onde chegou à diretoria no governo de Michel Temer, e foi secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME).

Na EPE, o técnico atuou na formulação do regime de partilha de produção, quando o pré-sal foi descoberto durante o governo Lula. Esse regime é alvo de críticas de especialistas, por ter atrasado a exploração de petróleo no país e por ser complexo e custoso. Esse regime faz as petroleiras entregarem parte do óleo produzido para a União, comercializado por meio da PPSA —estatal em que Mauro é presidente do Conselho.

José Mauro pediu demissão do cargo em outubro do ano passado, após pouco mais de um ano na função, no mesmo dia em que houve uma debandada no Ministério da Economia.

Já a indicação de Márcio Andrade Weber para a presidente do Conselho de Administração da Petrobras é elogiada por representantes do setor de petróleo. Ele tem experiência, já foi da Petrobras e é conselheiro, disseram especialistas.

PRESIDENTE DO CONSELHO

José Mauro é presidente do Conselho de Administração da PPSA, a estatal que cuida da comercialização de óleo e gás que o governo tem direito em contratos do pré-sal. Ele é bacharel em Química Industrial, mestre em Engenharia dos Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e doutor em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).