O Globo, n 32.385, 07/04/2022. Economia, p. 13

Risco de alta maior de juros nos EUA faz dólar subir forte

Vitor da Costa


Moeda voltou a ser vendida acima de R$ 4,70. Bolsa tem terceiro dia consecutivo de queda

O dólar fechou com forte alta ontem, ficando acima de R $4,70, e a Bolsa caiu, após a divulgação da ata da reunião do Federal Reserve (Fed, Banco Central americano) indicar que a política monetária pode ficar mais restritiva.

A moeda americana teve alta de 1,20%, negociada a R$ 4,7159, após atingir a máxima de R$ 4,7220. O dólar não fechava acima dos R$ 4,70 desde de 31 de março, quando terminou cotado em R$ 4,7592. É o segundo dia seguido em que o dólar sobe mais de 1%, mas a queda acumulada no ano ainda é de 15,41%. 

O Ibovespa caiu 0,55%, aos 118.228 pontos. No ano, o principal índice da B3 sobe 12,79%.

O documento do Fed mostrou que parte importante dos membros preferiam aumentar as taxas de juros em 0,50 ponto percentual na reunião de março, em vez da alta de 0,25 ponto percentual que foi fixada, mas decidiram não fazê-lo devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Muitos participantes observaram que — com a inflação bem acima do objetivo do Comitê, riscos inflacionários para cima e a taxa de fundos federais bem abaixo das estimativas dos participantes de seu nível de longo prazo — eles teriam preferido um aumento de 50 pontos base na meta para a taxa de fundos federais nesta reunião”, destaca a ata.

INFLAÇÃO PRESSIONADA

A ata também sinaliza que os membros do Fed viram um redução de suas participações em títulos ao máximo de US$ 95 bilhões por mês. O economista e sócio da Monte Bravo Investimentos, Luciano Costa, destaca que a ata pode ser considerada mais favorável à retirada de estímulos também pela perspectiva de uma inflação futura pressionada.

—Quando o Fed olha para a perspectiva de inflação, ele destaca três fatores de pressão: a invasão da Ucrânia, e seus efeitos para os preços de commodities e energia, a Covid-19 e os lockdowns na China. E aparece na ata a preocupação com a desancoragem das expectativas de longo prazo.