Valor Econômico, v. 23. n. 5704, 08/03/2023, Empresas, B2
Para estimular políticas públicas, setor nuclear articula frente parlamentar
Robson Rodrigues 

 

O segmento nuclear está se movimentando no Congresso Nacional para a criação de uma frente parlamentar para estimular políticas públicas para o desenvolvimento de tecnologias e atividades nucleares. A proposta é encabeçada pelo deputado federal Julio Lopes (PP-RJ) e tem o apoio da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), que acredita que a nova legislatura da Câmara dos Deputados debaterá mais o tema. 

O setor ainda aguarda pela aprovação do registro da frente. Lopes já protocolou um requerimento ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a fim de solicitar o registro. Atualmente, apenas 103 parlamentares assinaram o requerimento, mas precisam do apoio dos demais colegas e entidades, por isso estão em um trabalho de articulação para levantar mais assinaturas. 

O deputado espera conseguir 198 assinaturas. O presidente da Abdan, Celso Cunha, diz que é importante para o desenvolvimento do país o registro e atividade de uma frente parlamentar mista da tecnologia e atividades nucleares. Segundo ele, a entidade poderá subsidiar os parlamentares com informações sobre o segmento. 

Outro objetivo da frente é consolidar a participação política das empresas que fazem parte da cadeia produtiva de base nuclear, como as de bens de capital, de construção e montagem, do segmento de consultoria e engenharia, de operação de usinas e de unidades fabris de sistemas e equipamentos. 

“Na geração de energia, a principal pauta será a viabilidade das usinas nucleares, em termos econômicos e técnicos. Também queremos pautar a questão da irradiação de alimentos, um tema importante em todo o mundo. Diversos países não aceitam mais produtos que não estejam irradiados. E o Brasil, hoje, perde uma oportunidade enorme de exportar seus produtos com maior valor agregado. Então é um tema importante ainda a ser trabalhado”, diz Cunha, reforçando que há diversas associações também envolvidas. 

Especificamente em energia, o setor tem interesse no andamento das obras da usina de Angra 3. O Brasil tem o desafio de finalizar a construção do empreendimento na cidade de Angra dos Reis (RJ), que se arrasta desde 1984. 

O trabalho de lobby inclui reunir os congressistas e fazer a apresentação da frente parlamentar com os principais pontos e discussões. Segundo o executivo, isso dará uma dinâmica para as pautas. 

Na esfera executiva, a energia nuclear foi prioridade no governo Bolsonaro, contexto em que o Brasil aumentou a capacidade de enriquecimento de urânio e inaugurou 9ª cascata de ultracentrífugas da usina de enriquecimento isotópico de Urânio. Já o atual governo fala muito em transição energética, mas não sinalizou claramente o caminho que deve seguir.