Valor Econômico, v. 23. n. 5704, 08/03/2023, Empresas, B2
México reabre seu mercado à carne bovina brasileira após 12 anos
Rafael Walendorff e Fernanda Pressinott


O Ministério da Agricultura confirmou hoje que, depois de 12 anos, chegaram ao fim as negociações para a reabertura do mercado mexicano para a carne bovina brasileira. O Serviço Nacional de Saúde, Segurança e Qualidade Alimentar do México (Senasica) publicou na noite da última segunda-feira as diretrizes que adotará para importar a proteína do Brasil. 

Além de divulgar os requisitos sanitários, o México já definiu a primeira leva de frigoríficos brasileiros aptos a vender a seu mercado. Ao todo, 34 unidades conquistaram a habilitação. 

“Esse é um momento histórico para as relações comerciais brasileiras, especialmente para a carne bovina. O Brasil mostra a potência e a grandiosidade da sua pecuária, e a expansão de mercados está se tornando uma grande oportunidade para a retomada do crescimento dessa atividade econômica. Habilitar 34 plantas frigoríficas para o México é um sonho de mais de uma década que o Brasil tinha e que conseguimos realizar”, afirmou, em nota, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. 

Os mexicanos aprovaram as importações de carne de Santa Catarina, Estado reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como área livre de febre aftosa sem vacinação. O aval inclui carne fresca, resfriada ou congelada com osso. O país também liberou a importação de carne maturada e desossada de 14 Estados (Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe e Tocantins) que têm o status de área livre de aftosa com vacinação. 

O México é um dos países que mais comem carne bovina no mundo. Ainda que o consumo médio dos mexicanos, de 15 quilos por pessoa ao ano, não se equipare ao dos líderes nesse quesito — no Brasil, por exemplo, a média é de mais de 34 quilos anuais —, o país, de 126 milhões de habitantes, consumiu 1,9 milhão de toneladas em 2021, segundo o estudo Beef Report, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o que coloca o país na sexta posição no ranking global. 

A confirmação recente de uma ocorrência do mal da “vaca louca” no Pará não será problema para a reabertura, segundo as autoridades mexicanas. O Senasica disse já ter sido informado pelo governo brasileiro de que se trata de um caso atípico. Com isso, o Brasil seguirá com status de “risco insignificante” para a doença, o mesmo do México, explicou o órgão.