O Globo, n 32.386, 08/04/2022. Política, p. 07

Ala petista quer Jaques Wagner no comando da campanha ao Planalto

Johanns Eller


Falta de alianças ao centro e falas recentes de Lula ampliaram pressão sobre Gleisi

O diagnóstico de letargia na pré-campanha petista à Presidência, as negociações frustradas para aumentar a aliança e as declarações consideradas desastradas de Lula colocaram a presidente nacional da legenda, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), na berlinda. Uma ala do partido passou a defender internamente que o senador Jaques Wagner (BA), que não disputará eleições em outubro, assuma protagonismo na coordenação política da campanha.

A ala descontente atribui a Gleisi o fracasso na formação de uma federação com o PSB e na composição com legendas de centro, como o PSD. No grupo estão desde petistas antigos próximos ao ex-ministro José Dirceu até lideranças regionais importantes, além do vice-presidente nacional da sigla, Washington Quaquá.

— Nós formamos apenas uma pequena federação que, na realidade ,serviu como uma grande boia para salvar o PV e o PCdoB—afirma Quaquá.— É preciso ampliar as conversas. Por exemplo, é essencial trazer o PSD, do Kassab, que está até agora sem candidato à Presidência, ainda no primeiro turno —acrescentou.

A questão ,porém, é delicada no PT. Gleisi é um dos quadros mais fiéis a Lula, inclusive durante o período da prisão. É difícil que ela venha a ser desbancada do espaço que ocupa na sigla e na campanha de Lula. Interlocutores concordam com o diagnóstico de isolamento de Gleisi e dizem que a movimentação serve de alerta para que Lula faça um movimento mais ao centro político.

Liderança petistas têm demonstrado preocupação com duas declarações recentes de Lula —uma defendendo o direito ao aborto e outra recomendando que os petistas batam à porta da casa de deputados para pressionar o Congresso em diferentes agendas. Ontem, Lula buscou contemporizar as duas declarações.

A apreensão em torno da campanha do PT vem ganhando corpo desde que as pesquisas eleitorais começaram a mostrar uma queda nas intenções de voto de Lula e um avanço do presidente Jair Bolsonaro. Procurados, Gleisi Hoffmann e Jaques Wagner não retornaram os contatos.