O Globo, n 32.386, 08/04/2022. Economia, p. 12

Na inflação, impacto será percebido no índice de abril

Carolina Nalin


Redução na tarifa já estava nas contas do mercado, só que em maio. Projeções para lPCA fechado em 2022 ficaram inalteradas

A antecipação da retirada da bandeira de escassez hídrica pelo governo — que acrescenta R$ 14,20 a cada cem kWh consumidos e será extinta no próximo dia 16 — levou analistas a reduzirem as projeções de inflação para o mês de abril, já que a mudança vai proporcionar alívio ao bolso do consumidor brasileiro antes do esperado. A queda no preço de energia era prevista para maio.

As projeções de inflação para o ano seguem inalteradas, em torno de 7%, e a perspectiva é manutenção dos preços elevados para itens como combustíveis, alimentos e medicamentos.

Mirella Hirakawa, economista sênior da AZ Quest, calcula que a saída da bandeira a partir do dia 16 retira 0,5 ponto percentual da projeção para o IPCA de abril, reduzindo a estimativa de 1,4% para 0,92% no mês. Em maio, porém, agora é esperada alta de 0,3% ante -0,2%.

— O saldo dessa redistribuição do impacto da bandeira tarifária é nulo, mantendo a nossa projeção para o IPCA de 2022 em 7,4%. Mantemos a perspectiva de que o pico da inflação será em abril, mas antes era esperado que a inflação chegasse a 12% em 12 meses, e agora deve atingir 11,5%. Só achatou a curva — explica Mirella, que prevê o retorno da bandeira tarifária amarela em dezembro.

Étore Sanchez, economista da Ativa Investimentos, que também prevê o retorno da bandeira amarela no fim do ano, reduziu a projeção para o IPCA de abril de 1,10% para 0,70%, ao mesmo tempo em que elevou a projeção de maio, de -0,3% para 0,10%.

— No fim das contas, é uma antecipação de cerca de 15 dias que gera pequenas alterações para as projeções de curtíssimo prazo, mas a inflação para o ano segue idêntica, em 6,8%.

Tatiana Nogueira, economista da XP, calcula que a antecipação da retirada da bandeira de escassez hídrica dividirá seu efeito entre abril e maio: com a inflação em abril caindo de 1,07% para 0,67% e a de maio subindo de -0,23% para 0,17%.

— É um alívio muito pequeno. São 14 dias de energia mais barata na conta do consumidor, mas com o preço dos combustíveis crescendo acima de dois dígitos e os preços de alimentação acelerando. É uma pequena boa notícia num mar de notícias ruins e de pressão inflacionária — diz Tatiana, que projeta o IPCA em 7% este ano.