O Globo, n 32.386, 08/04/2022. Economia, p. 13
Guedes cobra TCU por privatização da Eletrobrás
Fernanda Trisotto e Geralda Doca
Ministro cita guerra na Ucrânia para defender operação. Presidente do BNDES diz que, sem venda da estatal, governo teria de fechar a usina nuclear de Angra 3
O ministro da Economia, Paulo Guedes, elogiou o trabalho do Tribunal de Contas da União (TCU) na avaliação do modelo de privatização da Eletrobras, mas cobrou a Corte ao alertar que o futuro da energia brasileira está em jogo, e conflitos como a guerra no Leste da Europa exigem que o país acelere seu processo de modernização no setor elétrico.
—O futuro da energia brasileira está em jogo. Nós fomos atingidos por duas crises. A primeira, que foi a pandemia, nos acelerou em direção ao futuro digital. E vem uma segunda crise agora, uma guerra, que nos acelerou em direção à transição energética. A ideia de segurança energética e de risco geopolítico é agora uma constante nas nossas vidas — disse.
— É um problema da maior gravidade, da maior seriedade e é muito importante (a privatização da Eletrobras). É um grito de independência do Brasil, no sentido de que nós vamos realmente destravar toda a fronteira de investimentos.
Guedes elogiou o que classificou de espírito de construção do TCU, frisando que a Corte tem buscado soluções para a questão da Eletrobras, entre outras:
— Estamos nessa reta final com aparentemente uma certa urgência, mas na verdade é um trabalho que já se estende há anos.
O governo gostaria que o TCU retomasse, em abril, o julgamento do processo que analisa a modelagem da privatização da Eletrobras, já que a oferta pública de ações está prevista para 13 de maio.
Conforme mostrou a coluna de Lauro Jardim, o ministro Aroldo Cedraz deve ficar fora de Brasília entre os dias 19 e 28 de abril, o que tornaria inviável a análise do processo antes de maio, segundo fontes. O TCU não tem prazo para concluir essa análise.
Já o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse que, se a privatização da Eletrobras não se concretizar, as obras da usina nuclear de Angra 3 podem não ser concluídas. Ele ressalta que, neste cenário, governo e sociedade teriam de arcar com os custos para o fechamento do espaço.
Montezano alertou para outras consequências, como o não recebimento dos valores da outorga e até efeitos sobre o preço das ações da companhia:
— Em adição a isso, existe uma chance razoável de que eventualmente Angra 3 não seja concluída. Então, a empresa e a sociedade brasileira talvez tenham que arcar com os custos de fechamento de Angra 3.