O Globo, n 32.386, 08/04/2022. Saúde, p. 20
Microplásticos são detectados em pulmões humanos
Partículas estavam em 11 dos 13 pacientes analisados no estudo elaborado pela Escola de Medicina Hull York, no Reino Unido
Uma das maiores preocupações dos cientistas na atualidade, os microplásticos foram encontrados pela primeira vez nos pulmões de pessoas vivas. Um estudo da Escola de Medicina Hull York, no Reino Unido, analisou 13 pacientes e detectou a presença dessas substâncias em 11 deles. Os materiais com mais incidência foram o polipropileno, usado em embalagens plásticas e tubulações, e o PET (sigla para Polietileno tereftalato), usado em garrafas. A pesquisa foi divulgada anteontem.
Segundo os cientistas que lideraram o estudo, já é possível considerar os microplásticos onipresentes em todo o planeta, o que torna a exposição humana inevitável, resultando em “uma preocupação crescente em relação aos perigos” dessas substâncias para a saúde. Os testes foram feitos em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos.
Já se sabia que as pessoas apresentavam essas partículas no corpo por meio de inalação, além de consumi-las nos alimentos e na água. Dois estudos também já haviam encontrado microplásticos em taxas igualmente altas no tecido pulmonar, obtido durante autópsias.
Trabalhadores expostos a altos níveis de microplásticos constantemente desenvolvem doenças nessas regiões do corpo. As primeiras descobertas da presença da substância no sangue foram feitas em março, comprovando que as partículas podem viajar pelo corpo e se alojar em alguns órgãos.
O impacto na saúde, no entanto, ainda é desconhecido. Mas os pesquisadores estão preocupados, uma vez que os microplásticos causaram danos às células humanas em laboratório, e as partículas de poluição do ar, por exemplo, são conhecidas por entrar no organismo, causando milhões de mortes decorrentes desse tipo de contaminação.
— Não esperávamos encontrar esse número de partículas nas regiões inferiores dos pulmões, ou partículas dos tamanhos que encontramos —conta Laura Sadofsky, da Escola de Medicina Hull York,autora do estudo.
As informações podem ser usadas para experimentos de laboratório, a fim de determinar os impactos na saúde. A pesquisa, publicada pela revista Science of the Total Environment, usou amostras de pessoas que iam ser operadas. Ela analisou partículas de até 0,003 mm de tamanho e usou espectroscopia para identificar o tipo de plástico.