O Globo, n 32.386, 08/04/2022. Polítical, p. 06
Em São Paulo, Haddad lidera com 29%; França tem 20%; Tarcísio, 10%
Bianca Gomes
Rodrigo Garcia alcança 6%, em empate técnico com ex-ministro da lnfraestrutura. Para 87%, é importante que postulante não seja corrupto
Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que o ex-ministro Fernando Haddad (PT) está à frente na disputa pelo governo de São Paulo com 29% das intenções de voto. Atrás dele, vem o ex-governador Márcio França (PSB), com 20%, o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem 10%, e o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), com 6% — os dois últimos empatados dentro da margem de erro.
Na sequência, aparecem o ex-prefeito de São José dos Campos Felicio Ramuth (PSD), candidato de Gilberto Kassab na disputa, e o deputado federal Vinicius Poit (Novo), ambos com 2%. Por último, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub (PMB) e o metroviário Altino Junior (PSTU), que têm um 1%, cada.
O número de brancos, nulos ou nenhum segue alto: 23% do eleitorado. Outros 7% dizem não saber em quem vão votar. Os percentuais, se somados (30%), superam a intenção de voto do líder Haddad.
Em um cenário sem França na disputa, o ex-prefeito da capital paulista salta para 35% das intenções de voto. A segunda posição é dividida entre Tarcísio e Garcia, ambos com 11%. Esse quadro pode ser considerado desfavorável para os petistas, que além de desejarem manter dois palanques para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no maior colégio eleitoral do país, consideram França importante para conter o crescimento de Garcia, sucessor de João Doria (PSDB).
Apesar disso, com a aliança entre PT e PSB prestes a ser sacramentada em nível nacional — Geraldo Alckmin, recém-filiado ao partido socialista deve ser anunciado hoje como vice na chapa de Lula — há conversas para que um dos dois pré-candidatos dos partidos em São Paulo desista de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.
VANTAGEM ENTRE JOVENS
Na semana passada, o cenário político ameaçou uma reviravolta após Doria avisar a aliados que desistiria da corrida à Presidência para continuar à frente do governo de São Paulo, o que poderia tornar inviável a candidatura de Garcia.
Durante a crise que se instalou ao longo da quinta-feira (31), o então vice-governador chegou a pedir demissão da Secretaria de Governo. Ao final, no entanto, a polêmica foi cessada com o anúncio de que Doria manteria sua pré-candidatura Planalto.
Os demais candidatos listados no levantamento do Datafolha não sofreram grande impacto com a retirada do nome de França: Felício alcançou 3%, Altino e Poit, 2%, e Weintraub, 1%. Os entrevistados que não são adeptos a nenhum desses nomes — brancos, nulos ou nenhum — sobem para 26% com o ex-governador de São Paulo fora do páreo.
Considerando o perfil do eleitorado, a pesquisa do Datafolha mostra que Haddad sai à frente entre os jovens de 16 a 24 anos, faixa em que acumula dez pontos acima da média dos demais candidatos nos dois cenários. O público responde por 16% da amostra populacional do levantamento.
O ex-prefeito de São Paulo leva vantagem entre os estudantes (52%) e os que ganham acima de dez salários mínimos (44%). Outro que também se beneficia entre os mais ricos é Tarcísio, que dobra a sua intenção de voto no eleitorado, movimento parecido com o de Bolsonaro. O candidato do Republicanos ainda se destaca entre os empresários (23%), mas tem desempenho inferior com as mulheres (6%).
Ainda relação a Tarcísio, a associação ao presidente ajuda no primeiro turno, mas atrapalha no segundo. Segundo o levantamento, 18% afirmam que vão votar em quem Bolsonaro apoiar. No entanto, 62% não escolheriam de modo algum o nome apoiado pelo presidente, o que dificulta a campanha do ex-ministro.
O Datafolha perguntou ainda sobre o que importa ao paulista na hora de escolher um candidato. Para 87%, é relevante não estar envolvido em corrupção. Em seguida, os eleitores dizem que é importante ter experiência administrativa (83%) e um passado político conhecido (69%). Já a escolha do vice é considerada por 66% dos ouvidos.
Ter nascido em São Paulo é considerado vital para 43%, mas 37% não se importam. Tarcísio é do Rio, e Altino, do Maranhão. Os demais são paulistas. Ser um candidato pobre é irrelevante para 60%, porém é importante para 17%. Já um candidato rico não é critério para a maioria: 73%; outros 5% acham essencial.