O Globo, n 32.387, 09/04/2022. Política, p. 11
Datafolha: Castro tem 25 % de reprovação; Doria, 36%
Bernardo Mello e Jan Niklas
Para maioria, gestores fizeram menos do que se esperava. Governador do Rio tem 18% de aprovação; paulista aparece com 23%
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira apontou uma dificuldade semelhante para o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), à reeleição, e para o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB), que deixou o Executivo estadual para concorrer à Presidência. Segundo o levantamento, a maioria dos eleitores de ambos os estados considera que os respectivos gestores fizeram menos do que se esperava. Pesa ainda contra Doria, em sua aspiração presidencial, o fato de ter deixado o governo com desaprovação elevada. Nocas o de Castro, sua gestão é mais descrita como “regular” pelos eleitores fluminenses.
De acordo com a pesquisa, o atual governador do Rio, que assumiu o cargo de forma definitiva em maio do ano passado, após o impeachment de Wilson Witzel (PSC), tem sua gestão considerada ótima ou boa por 18%, enquanto 25% a avaliam como ruim ou péssima. Para 44%, Castro faz um governo regular.
Castro tem apostado na construção de alianças com a maioria dos prefeitos dos 92 municípios fluminenses na injeção de recursos para investimentos e obras no estado, especialmente a partir dos leilões de concessão da Cedae. O objetivo, com tempo reduzido à frente do Palácio Guanabara, é se tornar mais conhecido e avançar na preferência do eleitorado.
Por ora, segundo o Datafolha, 64% dos eleitores consideram que Castro fez menos do que se esperava à frente do governo do Rio. Na outra ponta, 8% avaliam que o governador fez mais do que o esperado. Outros 13% disseram no levantamento que o governador não ficou nem acima, nem abaixo das expectativas.
Doria, que renunciou ao governo paulista na última semana, manteve na reta final de gestão um patamar de rejeição similar ao do ano passado. De acordo com o Datafolha, 36% dos entrevistados em São Paulo consideraram a gestão do ex-governador péssima, enquanto 23% a classificaram como ótima ou boa. A desaprovação em setembro e em dezembro do ano passado foi de 38%, o que representa uma oscilação dentro da margem de erro, que é de três pontos.
No dia marcado para a renúncia, na última semana, Doria chegou a ensaiar um recuo para seguir no cargo, por conta de incertezas sobre o apoio do PSDB à empreitada presidencial. Embora Doria tenha vencido as prévias tucanas, uma ala do partido avalia que ele deveria compor com um nome da terceira via, sob o pretexto de que seu nome concentra uma alta rejeição.
Doria, por sua vez, aposta em crescer a partir de uma campanha que apresente seu legado no governo de São Paulo, destacando indicadores econômicos e de segurança pública, e também a produção e aquisição da vacina Coronavac, o primeiro imunizante a ser aplicado no Brasil durante a pandemia da Covid-19. De acordo com a pesquisa, contudo, 74% dos eleitores paulistas avaliam que Doria fez menos do que o esperado na gestão. Outros 16% avaliam que o ex-governador ficou dentro das expectativas, e 6% avaliam que ele as excedeu.