O Globo, n 32.387, 09/04/2022. Economia, p. 17

União desiste de fazer nova redução de IPI para a indústria



O governo descartou, por ora, uma nova redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de acordo com integrantes da equipe econômica. Com isso, fica mantido o corte de 25% nas alíquotas, sem uma ampliação para 33%, como chegou a ser anunciado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O novo corte foi descartado em conversas do presidente Jair Bolsonaro com integrantes de seu governo. O motivo é que, para o governo, houve uma quebra de acordo com alguns parlamentares. O corte de 25% do IPI irritou parlamentares do Amazonas, já que a Zona Franca de Manaus tem seus benefícios baseados nesse tributo. Um IPI menor para todos prejudica os produtos que são feitos ali.

VENDA DE AÇÃO DA PETROBRAS

Para aprovar no Senado as mudanças no ICMS sobre os combustíveis, a equipe econômica aceitou excetuar os produtos feitos em Manaus do corte de impostos—mantendo a vantagem dessa região.

Para o governo, porém, o acordo foi quebrado quando governadores não reduziram o ICMS. Por isso, o governo não tirou os produtos da Zona Franca do corte de IPI. Era essa mudança que faria a redução do tributo ser ampliada para 33% nos demais produtos.

Em outra frente, o governo passou a estudar um modelo para privatizar a Petrobras no futuro por meio da venda de ações sob controle do BNDES e da pulverização do controle. Paulo Guedes, ministro da Economia, quer usar a crise na troca de comando da empresa para impulsionar o discurso em prol da privatização. A ideia do ministro é destinar os recursos arrecadados a fundos voltados para investimentos e ações sociais, além de ao pagamento da dívida pública, informou uma fonte do governo a par do debate. Integrantes do governo admitem, porém, que não deve haver tempo hábil para fazer isso neste ano. Em entrevista ao GLOBO, a secretária especial de Produtividade e Competitividade, Daniella Marques, disse avaliar que a classe política inteira “demonstra estar se convencendo” da necessidade da privatização. (Manoel Ventura)