Valor Econômico, v. 23. n. 5706, 10/03/2023, Agronegócios, B10
Exportações de café recuam 33% em fevereiro
Érica Polo


As exportações brasileiras de café recuaram 33% em fevereiro em comparação com o mesmo mês de 2022, para 2,4 milhões de sacas. A receita com os embarques cedeu 38,5%, para US$ 506 milhões, informou o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O preço médio da saca de café caiu quase 8% no mês, para US$ 211. 

Nos oito primeiros meses do ano safra 2022/23 (julho de 2022 a fevereiro deste ano), os embarques somam 24,6 milhões de sacas, com recuo de 7,7%, em comparação a igual período anterior. O faturamento, contudo, cresceu 13%, para US$ 5,7 bilhões, refletindo um cenário de avanço de cotações. 

No primeiro bimestre deste ano, as exportações recuaram 25,4%, para 5,226 milhões de sacas, e a receita somou US$ 1,117 bilhão, com queda de 29%. Em janeiro e fevereiro, os Estados Unidos mantiveram o posto de principal importador, com a compra de 978,3 mil sacas (-29,2% em comparação ao mesmo período de 2022). Em seguida estão Alemanha, que importou 787,2 mil sacas (-33,7%); Itália, com a compra de 398 mil sacas (-35,1%); Bélgica, com 313,2 mil sacas (-59,7%); e Japão, com a aquisição de 247,6 mil sacas (-28,8%). 

A retração dos embarques resulta de menor oferta da variedade arábica durante um período de entressafra, após duas colheitas menores afetadas pelo clima. "Quanto mais longe de uma safra alta, como a de 2020, que foi recorde, menos café remanescente temos, impactando na oferta”, disse Márcio Ferreira, presidente do Cecafé. 

Segundo ele, apesar da recuperação de preços na bolsa de Nova York nos primeiros meses de 2023, o patamar de cotações ainda está aquém dos níveis registrados em setembro, antes do início do movimento de queda de preços. “As cotações ainda não são atraentes para o produtor negociar seu estoque, que não é tão grande agora”, disse. 

Além disso, os níveis de preços praticados no mercado interno brasileiro estão acima da cotação da bolsa de NY, o que tem levado importadores a buscarem café no mercado à vista em outros países. 

A demanda interna das indústrias pela variedade conilon também segue firme. Segundo o dirigente, o ritmo das exportações deve ser retomado a partir da chegada da próxima safra de arábica de 2023, a partir de maio.